- Os pais de Piper James chegaram a Brisbane vindo de Vancouver e seguem para K’gari para devolver o corpo da filha ao Canadá e participar de uma cerimônia de fumaça com os povos tradicionais Butchulla.
- O relatório preliminar do coroner aponta evidência física de afogamento, além de ferimentos compatíveis com mordidas de dingo, ainda sem conclusão sobre a causa da morte; laudos de patologia devem levar semanas.
- A cerimônia de fumaça é vista como protocolo cultural importante para acalmar a terra, reconhecer o espírito de Piper e oferecer cura, segundo a diretora da Butchulla Aboriginal Corporation.
- O governo de Queensland informou que oito dingos foram eutanizados; um animal ainda está pendente de decisão.
- Os dirigentes tradicionais alegaram não ter sido consultados sobre a eutanásia dos dingos, que são chamados wongari e considerados sagrados na comunidade.
Os pais de Piper James chegaram a Brisbane nesta terça-feira, dando início à etapa final de sua jornada para devolver os restos da filha ao Canadá. A família, que acredita que Piper se afogou na ilha de K’gari, trajeto no litoral de Queensland, planeja uma cerimônia de fumaça com os habitantes tradicionais da ilha. A viagem ocorre após a localização do corpo de Piper na madrugada de 19 de janeiro.
Todd e Angela James não falaram com a imprensa no aeroporto, mas divulgaram posts emocionais nas redes sociais. Em uma publicada no Facebook, Todd afirmou que o objetivo é caminhar pelos caminhos que a filha percorreu e retornar com Piper para casa, no Canadá.
K’gari, antiga Fraser Island, recebe a cerimônia de defumaçao promovida pelos Butchulla, os donos tradicionais da ilha. Christine Royan, diretora da Butchulla Aboriginal Corporation, destacou a importância do ritual para trazer calma à terra, reconhecer o espírito de Piper e promover a cura para todos.
A apuração preliminar do coroner, divulgada quatro dias após a morte, indicou evidências físicas compatíveis com afogamento, além de lesões que lembram mordidas de dingo, sem indicar que tais ferimentos teriam sido letais. O resultado definitivo depende de exames de patologia que devem sair em semanas.
Na véspera, o ministro da Ambiental de Queensland informou que um pacote de 10 dingos seria abatido, como medida de segurança pública. A decisão gerou críticas de especialistas, que alertaram para possível impacto genético na população de dingos da ilha.
Especialistas em genética de dingos destacam que a população isolada de K’gari já apresenta baixa diversidade genética e altos níveis de parentesco. A remoção de indivíduos pode agravar o que alguns chamam de extinção genética para a espécie na ilha.
Angela James disse a veículos nacionais que acredita que a eliminação de dingos não seria desejável para Piper. Contudo, o órgão ambiental confirmou que os cães foram avaliados como risco público após uma semana de monitoramento de comportamento agressivo.
O caso se soma a uma sequência de incidentes entre dingos e turistas na ilha. Esse é o primeiro óbito registrado desde 2001, quando uma criança de 9 anos foi morta por dois cães. Na ocasião, outras 32 feras foram abatidas.
Segundo o departamento de meio ambiente de Queensland, oito dingos já foram eutanizados de forma humana, com um remanescente ainda sob avaliação. As autoridades afirmaram que a operação continua até que o pack seja completamente gerido.
Os Butchulla afirmam que não foram consultados nem incluídos no processo de abate dos animais, que eles consideram wongari, um elemento sagrado de sua cultura. A tensão entre autoridades, comunidade tradicional e turistas persiste na descrição do episódio.
A família de Piper segue o plano de retornar ao Canadá após a cerimônia em K’gari. A conclusão das investigações sobre as causas da morte deve ocorrer apenas após os resultados oficiais de patologia, ainda sem previsão de conclusão.
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