- O relatório Ocean Travellers da IUCN identifica 816 áreas importantes para tubarões e raias (ISRAs) ao redor do mundo, onde ocorrem reprodução e outras atividades-chave de espécies ameaçadas.
- O atlas online de ISRAs é público, permitindo acesso às informações sobre essas áreas.
- As ISRAs servem como ferramenta para orientar políticas, com governos podendo proteger zonas econômicas exclusivas e por meio de acordos internacionais como CMS e CBD.
- O estudo cobre nove de treze regiões oceânicas, com dados sobre as outras quatro previstas para serem divulgados ainda neste ano; o relatório foi lançado antes da COP15 no Brasil.
- Menos de três por cento do oceano llega a estar coberto por ISRAs nessas regiões, destacando potencial custo-efetivo para criação de áreas protegidas e medidas de conservação.
O relatório “Ocean Travellers” da IUCN, divulgado publicamente em 14 de janeiro, aponta 816 áreas do oceano classificadas como ISRAs (Important Shark and Ray Areas) que devem receber proteção para favorecer a recuperação de tubarões e raias. A maioria dessas áreas abriga atividades-chave de reprodução de pelo menos uma espécie ameaçada.
As ISRAs foram escolhidas com base em padrões de reprodução, alimentação, agregação e migração de tubarões e raias. O conjunto visa orientar decisões de gestão em níveis nacional, regional e internacional, com foco em biodiversidade e conservação.
A iniciativa, lançada em 2021, já mapeia áreas em nove das 13 regiões oceânicas e deve ter desdobramentos adicionais neste ano. O lançamento ocorreu antes de uma grande reunião da CMS, para impulsionar decisões de conservação baseadas em áreas.
Por que as ISRAs importam
A análise mostra que 327 espécies de tubarões e raias, incluindo todas as cinco espécies de raia-manta e linhas de proteção para aquelas sob acordos da CMS, podem se beneficiar. O relatório destaca áreas como o Golfo de Suez e ecossistemas do Atlântico e Pacífico.
O relatório também sinaliza que a sobrepesca é a principal ameaça, com impactos severos em populações de espécies de rápido crescimento e reprodução tardia. Mesmo com redução da mortalidade, algumas espécies demoram décadas para se recuperar.
Limites e usos práticos
As ISRAs não criam proteção automática; atuam como ferramenta de política para orientar medidas de conservação. Atualmente, apenas uma pequena parte se sobrepõe a áreas marinhas protegidas estritas, segundo estudo citado pela IUCN.
Governos podem aplicar proteções em zonas econômicas exclusivas, por meio da CBD e CMS, ou via organizações regionais de manejo de pesquerias. Há ainda o tratado BNJ, que facilita designações em águas internacionais.
Perspectivas e próximos passos
O objetivo é compor um mapa global que incorpore diferentes áreas protegidas, ajudando governos a priorizar ações. A equipe da IUCN aponta que menos de 3% dos ambientes estudados já passam por áreas com gestão de proteção, demonstrando viabilidade de atuação.
Especialistas destacam a importância de ampliar dados, especialmente para raias menores e espécies não carismáticas. O atlas público de ISRAs está disponível para consulta e planeja incorporar pesquisas futuras.
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