- Destruição de hábitat e mudança climática deixam as espécies de lagartos agamídeos do Sri Lanka mais vulneráveis, com mais de quarenta por cento dos habitats críticos sem proteção.
- Os pontos mais críticos ficam na zona úmida e nas áreas montanhosas de Dumbara, onde vivem várias espécies de alcance muito restrito, incluindo os Cophotis.
- Doze dezoito espécies de lagartos agamídeos são endêmicas do Sri Lanka (19 de 22), e o conjunto é protegido pela Lei de Proteção da Flora e Fauna (FFPO); algumas espécies são estritamente protegidas.
- O comércio ilegal e anúncios on-line alimentam a venda de Dumbara e de outros lizards endêmicos, com preços que variam de centenas a milhares de dólares em mercados internacionais.
- Autoridades e pesquisadores mencionam riscos de lavagem de animais capturados na natureza como “captivos criados” para venda, e ressaltam a necessidade de fiscalização, educação local e inclusão de espécies na regulamentação internacional (CITES).
O Sri Lanka enfrenta um risco crescente para as lagartixas do grupo agamídeo, devido a três fatores centrais: redução de habitat, mudanças climáticas e tráfico como animais de estimação exóticos. O arquipélago abriga mais de 20 espécies de agamídeos, com alta endemicidade: mais de dois terços não são encontrados em nenhum outro lugar do mundo.
Os habitats úmidos e as áreas montanhosas do país concentram a maior diversidade, porém sofrem desmatamento intenso. A situação é agravada pela exportação ilegal de espécies endêmicas para mercados internacionais, o que amplia a pressão sobre populações de baixa distribuição.
Desafios atuais
Em março de 2025, um estudo indicou que mais de 40% dos habitats mais críticos dos agamídeos permanecem não protegidos no Sri Lanka. As áreas-chave ficam principalmente na zona húmida do país, incluindo a Reserva Sinharaja, a Área Silvestre Peak e a Serra Dumbara, conhecida como Knuckles.
A pesquisa, publicada em Integrative Conservation, mapeou a distribuição de 14 espécies ameaçadas e revelou que 19 de 22 espécies são endêmicas ao Sri Lanka. Os mapas ajudam a identificar áreas prioritárias para conservação, dentro e fora de unidades protegidas.
Mercado ilegal e proteção
As espécies de distribuição restrita tornaram-se alvo de traficantes que negociam reptiles em plataformas globais de comércio de animais exóticos. A Dumbara agama (Cophotis dumbara) e a Cophotis ceylanica são citadas entre as de maior valorização, com preços elevados dependendo do destino.
Especialistas destacam que a demanda internacional, associada à facilidade de transporte, alimenta o comércio ilegal. A Flora e Fauna Protection Ordinance protege as 22 espécies de agamídeos do Sri Lanka, proibindo coleta e exportação sem permissão. Contudo, violações e tráfego sofisticado continuam ocorrendo.
Esforços de pesquisa e fiscalização
Pesquisadores ressaltam que a coleta de juvenis pode ser utilizada para camuflar animais vindos do ambiente selvagem, em operações de comércio ilegal. Autoridades e conservacionistas trabalham para incluir mais espécies em acordos internacionais, como a CITES, ampliando a proteção.
Organizações não governamentais, como TRAFFIC, apontam que a raridade eleva o valor no mercado global, aumentando a tentação de contrabandistas. Casos de apreensões e ações judiciais mostram a existência de uma luta contínua entre conservação e comércio clandestino.
Caminhos para a conservação
Especialistas defendem ampliar áreas protegidas em regiões críticas e fortalecer estratégias de educação local. Iniciativas de monitoramento e parcerias com comunidades próximas a florestas visam reduzir a captura de espécies de distribuição restrita. A cooperação internacional também é vista como essencial.
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