- Em Queensland, seis dingos foram abatidos de uma matilha de dez após a morte de Piper James, turista canadense de 19 anos, em ilha de K’gari.
- A autópsia indicou que é improvável que mordidas tenham causado o falecimento; mesmo assim, a matilha foi sacrificada por questões de segurança pública.
- A decisão foi anunciada pelo ministro do Meio Ambiente de Queensland, Andrew Powell, que afirmou que ao menos um dingo apresentou comportamento agressivo contra alguém que acampava no local.
- Especialistas e comunidades aborígines criticaram a medida, dizendo que é irracional e desrespeitosa, especialmente por não haver consulta aos povos tradicionais de Butchulla.
- A ilha de K’gari, sagrada para o povo Butchulla, é um grande destino turístico e enfrenta tensões entre conservação, turismo e gestão de dingos, com histórico de incidentes envolvendo visitantes.
O governo de Queensland sacrificará uma matilha de dingos na ilha de K’gari após a morte de Piper James, turista canadense de 19 anos. Sete animais foram abatidos? Não, seis deles já. A decisão ocorreu na última quinta-feira, alegando risco à segurança pública.
Piper James foi encontrada morta na manhã do dia 19, perto do naufrágio Maheno. A autópsia aponta que as mordidas não é provável que tenham causado a morte, que pode ter sido por afogamento. Ainda assim, a matilha foi considerada um risco.
Os dingos rondavam o corpo da jovem quando ela foi achada, e testemunhas relataram comportamentos agressivos de alguns animais. O ministro do Meio Ambiente, Andrew Powell, informou que, após a ocorrência, houve agressão de um dingo a alguém que acampava na ilha.
Contexto da ilha e dos dingos
K’gari, maior ilha de areia do mundo, fica no sudeste de Queensland e é gerida em parceria com o povo Butchulla, tradicional morador da região. Os dingos, chamados pela comunidade local de wongari, são vistos como parte da fauna nativa.
A população de dingos em K’gari é pequena, estimada em cerca de 200 animais, com baixa variabilidade genética. O manejo da espécie envolve riscos de extinção e preocupações com impactos ecológicos de abatimentos repetidos.
Ataques a turistas já ocorreram na ilha, incluindo episódios envolvendo crianças. Mesmo assim, números oficiais indicam que menos de 0,2% dos visitantes vivenciam algum incidente com os dingos anualmente.
Historicamente, casos graves já motivaram ações rápidas do governo. Em 2001, após a morte de um menino de 9 anos, foram abatidos 28 dingos. Desde então, apenas um ou dois animais são abatidos por ano, sem evidências claras de melhoria na segurança.
Medidas e reação local
Medidas de mitigação incluem sinalização, cercas, campanhas de conscientização e dispositivos para dissuadir a aproximação dos animais. A alimentação de dingos por turistas é desencorajada, pois pode reforçar a percepção de que humanos são fonte de alimento.
A decisão de sacrificar a matilha não contou com consulta aos povos aborígenes, co-gestores da ilha. A liderança Butchulla expressou surpresa e desapontamento com a medida, afirmando que as prioridades econômicas parecem ter prevalecido.
O ministro Powell afirmou que a ilha continua aberta aos visitantes e reiterou a capacidade de promover o turismo sem colocar em risco moradores e operadores locais. A declaração foi realizada no dia 25, destacando o equilíbrio entre proteção ambiental e atividade turística.
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