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Inuit da Groenlândia dizem que terra Ártica é compartilhada

Inuit reiteram que terras árticas não têm dono; Groenlândia é território autônomo com soberania compartilhada, diante de interesses externos e tensões.

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
People pass buildings with social housings with an Inuit mural in Nuuk
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  • No Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, a posse da terra é coletiva: as pessoas podem ter casas, mas não a terra em si.
  • O interesse dos Estados Unidos na Groenlândia ganhou destaque com falas do ex-presidente Donald Trump; a Dinamarca afirma soberania legal sobre a ilha, com detalhes do acordo ainda incertos.
  • Aproximadamente 57 mil habitantes são majoritariamente inuit, que veem a terra como um bem comunitário e não como propriedade individual.
  • Em Kapisillit, vila ao leste de Nuuk, a vida gira em torno de pesca, caça e serviços básicos; há poucos alunos na escola e imóveis de veraneio vazios no inverno.
  • Especialistas locais destacam que a terra deve ser vista como uso e responsabilidade, não como propriedade, reforçando a visão de “guardians, not owners” dos povos inuit.

O tema ganhou destaques globais quando o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a discutir a possibilidade de Washington controlar Groenlândia, enquanto a Dinamarca afirma soberania legal sobre o território. Para os Inuit, povo que habita a ilha há séculos, a ideia de propriedade é diferente: o Ártico é partilhado, não leiloável.

A visão central entre os Inuit é de posse coletiva da terra. A legislação local estabelece que morar em uma casa não confere direito de propriedade sobre o terreno onde está a construção. Essa interpretação está arraigada há séculos, após três séculos de colonização.

Kaaleeraq Ringsted, 74 anos, vivo em Kapisillit, resume a tradição: o terreno é compartilhado e não pertence a indivíduos. Ringsted atua hoje como catequista da pequena comunidade, que fica à beira de um fiorde a leste de Nuuk.

A ECONOMIA E A VIDA NA COMUNIDADE

Ainda em Kapisillit, a vida depende de serviços básicos: escola, mercearia e um posto de atendimento. O acesso ao continente se dá pelo píer, onde barcos chegam semanalmente para suprir a vila, enquanto caçadores e pescadores partem para o mar.

Heidi Lennert Nolso, líder da vila, afirma que há liberdade para navegar e ir a diferentes áreas sem restrições, preservando o modo de vida tradicional. A conservação da natureza é parte essencial da identidade local.

OUTROS FIOS E CONTEXTO

Além disso, o território é amplamente habitado por Inuit, que representam quase 90% dos 57 mil habitantes da Groenlândia. A ideia de “ser guardiões” da terra ecoa entre familiares com práticas xamânicas, que veem a relação com o território como responsabilidade, não posse.

A vila enfrenta desafios de demografia e infraestrutura. O número de alunos na escola é baixo, e há risco de fechamento do estabelecimento. Novos imóveis de veraneio aparecem ao longo da baía, mas permanecem vazios durante o inverno, refletindo o equilíbrio entre tradição e desenvolvimento.

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