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Conservação comunitária na Amazônia brasileira tem custo, aponta estudo

Conservação comunitária no Juruá amplia proteção de pirarucu e ecossistemas, mas impõe custo financeiro aos guardas que atuam sem remuneração

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
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  • Estudo publicado na Nature Sustainability mostra que a conservação baseada na comunidade para o pirarucu, nas lagoas oxbow do rio Juruá, amplia a conectividade entre áreas alagadas e florestas de planície.
  • Guardas comunitários patrulham, confiscam equipamentos de pesca ilegal e denunciam atividades; tudo sem remuneração, o que gera custos para alimentação e suprimentos e afastamento do trabalho.
  • A proteção das lagoas resulta em uma área de proteção de várzea quase oito vezes maior do que as lagoas, e até 36 vezes quando consideradas as inundações sazonais; a proteção também abrange florestas altas dezenas de vezes maiores.
  • O custo médio para defender as lagoas é de $0,95 por hectare por ano; se os guardas fossem pagos, o custo subiria para aproximadamente $5,30 a $5,40 por hectare por ano.
  • Pesquisadores defendem financiamento por pagamentos por serviços ambientais (PES) com gestão transparente; o envolvimento de mulheres e jovens aumenta, fortalecendo a gestão comunitária.

Diante das comunidades ribeirinhas da Amazônia brasileira, pesquisadores apontam que a conservação baseada na participação local tem impactos positivos, mas também custos significativos. Um estudo publicado na Nature Sustainability avaliou a co-gerência de pirarucu em áreas de proteção no baixo Juruá, afluente do Amazonas.

A pesquisa acompanhou 14 comunidades rurais que monitoram 96 lagoas oxbow ao longo do rio Juruá. As equipes atuam de forma volunteer, patrulham durante a estação seca e confiscam equipamentos de pesca predatória para defender o pirarucu, espécie-chave para a segurança alimentar local.

O estudo mostra que a proteção vai além das lagoas: o manejo comunitário aumenta a conectividade ecológica entre áreas alagadas e áreas de terra firme. Ao restringir o acesso de terceiros, há benefícios para biodiversidade e sustento familiar, com impactos positivos em diferentes escalas geográficas.

A amostra aponta que cada comunidade protege uma área de planície de inundação quase 86 vezes maior que as lagoas isoladas. A proteção de áreas ribeirinhas também beneficia florestas de terra firme em escala similar, fortalecendo redes ecológicas regionais.

Segundo os pesquisadores, o objetivo é preservar biodiversidade e meios de subsistência locais por meio de conhecimento tradicional aliado à ciência. A co-gerência facilita ações coletivas que envolvem moradores, pesquisadores e órgãos governamentais.

A pesquisa destaca o custo financeiro do esforço: as famílias arcariam com despesas de alimentação, suprimentos e patrolas, sem remuneração. O custo médio de proteção foi estimado em 0,95 dólar por hectare por ano, para um cenário sem pagamento a guardas.

Caso dois guardas recebessem salário baseado no piso local, o custo subiria para 5,30 dólares por hectare por ano; com salário mínimo brasileiro, 5,40 dólares por hectare. Os valores variam conforme o modelo de remuneração adotado.

Para cobrir essas despesas, o estudo sugere pagamentos por serviços ambientais (PES) diretos às comunidades, com gestão local dos recursos. Em 2025, durante a COP30, autoridades discutiram pilotos de PES para distribuir fundos de forma transparente e justa.

Coautora Ana Carla Rodrigues ressalta que a proteção comunitária pode ampliar a conectividade entre ambientes aquáticos e terrestres, fortalecendo redes ecológicas. A experiência demonstra que conhecimentos tradicionais também fortalecem a gestão ambiental.

O estudo também aponta ganhos sociais, com maior participação de mulheres na gestão pesqueira, em especial nas etapas de contagem de pirarucu e em espaços de decisão. Jovens das comunidades permanecem na região, fortalecendo a sustentabilidade local.

Os autores enfatizam que o financiamento deve chegar de fontes públicas e privadas, sem abrir mão de transparência. Campos-Silva, pesquisador do Instituto Juruá, reforça que a participação local é essencial para o futuro da Amazônia e da conservação.

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