- Existem sessenta e cinco blocos de concessão de petróleo e gás no Equador, sendo oitenta e oito por cento na Amazônia, cobrindo um quarto do território do país.
- O mapa é de um novo conjunto de dados do Stockholm Environment Institute (SEI) e mostra sobreposições com territórios indígenas, incluindo a zona intangível Cuyabeno-Imuya.
- Blocos também se sobrepõem a áreas protegidas, como o Parque Nacional Yasuní, alvo de um referendo de 2023 que buscou interromper a perfuração no parque.
- No total, os blocos somam sete milhões de hectares, cerca de um quarto da área total do Equador.
- Enquanto isso, organizações ambientais destacam riscos de contaminação por químicos usados na extração e impactos à saúde de comunidades e de animais, com autoridades ainda sem comentários oficiais.
Ecuador possui 65 blocos de arrendamento de petróleo e gás, 88% deles na Amazônia, que somam um quarto do território do país. Os dados são de um novo conjunto fornecido pelo Stockholm Environment Institute (SEI).
A maior parte dos blocos se sobrepõe a territórios indígenas, incluindo a Zona Intangible Cuyabeno-Imuya, habitada por comunidades Secoya, Siona, Cofán, Kichwa e Shuar. Interliga-se também a comunidades Shuar em Pastaza e Morona Santiago.
Dados e sobreposições geográficas
De acordo com o SEI, cerca de 21% dos arrendamentos intersectam áreas protegidas e 61% com territórios indígenas. Entre as áreas afetadas estão zonas próximas ao Parque Nacional Yasuní e reservas como RECB e a Reserva de Curuaye.
Os blocos ocupam 7 milhões de hectares, ou 17 milhões de acres, equivalente a um quarto do total de superfície terrestre do país. Além disso, há sobreposição com zonas de alto risco sísmico, aumentando riscos para oleodutos e poços.
Perigos e impactos ambientais
Alexandra Almeida, liderança da organização ambiental Acción Ecológica, ressalta que químicos usados na produção de petróleo são tóxicos para o ambiente e a saúde humana, com potenciais contaminações de água e solo. Estudos associam exposição a efeitos diversos.
Relatórios apontam que vazamentos e rupturas ocorrem em contextos de falhas sísmicas e infraestrutura desatualizada. Em 2020, o rompimento do sistema SOTE contaminou o Coca, atingindo milhares de indígenas. Em 2025, nova ruptura poluiu três rios e afetou dezenas de comunidades em Esmeraldas.
Mongabay procurou os ministérios do Ambiente e de Minas e Energia para comentários; até o fechamento, não houve resposta. As informações destacam riscos persistentes para ecossistemas e populações locais.
A divulgação reforça a necessidade de monitoramento contínuo das áreas de explotação e da relação entre acessos energéticos e direitos de comunidades tradicionais.
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