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Açafrão na Argélia: cultivo do ouro vermelho em entrevista com Keltouma Adouane

Expansão com 25 mulheres em Béjaïa produz cosméticos e queijos com açafrão, vendendo direto a herbalistas e clubes de fitness, com apoio público desde 2024

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Banner image: A saffron crocus (Crocus sativus). Image by Nick Perla via Flickr (CC BY-ND 2.0)
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  • Em Béjaïa, na Argélia, o cultivo de açafrão é tema de expansão com foco em geração de renda, envolvendo 25 mulheres rurais e ampliando produtos para cosméticos e queijos infusionados com açafrão.
  • A entrevistada, Keltouma Adouane, destaca que o açafrão é vendido como “ouro vermelho”, com preço de até 70.000 euros por quilo, e que bulbos de açafrão custam cerca de 40 euros por quilograma.
  • O cultivo é desafiador: flores abertas por menos de três semanas ao ano, colhidas à mão ao amanhecer, e é necessário quase 200.000 flores para produzir 1 kg de açafrão seco.
  • A produção é vendida diretamente a herbalistas e clubes de fitness, com a venda de cosméticos e queijos infusionados; há interesse de outros produtores da região e de mercados além de Béjaïa.
  • O governo argelino reconheceu o açafrão como setor agrícola desde 2024, o que deve ampliar o apoio e facilitar a expansão do manejo, processamento e comercialização.

O cultivo do açafrão avança na região de Béjaïa, na Argélia, com a participação de 25 mulheres rurais vinculadas à AFUD. A iniciativa envolve produção de cosméticos e de queijos infusionados com açafrão, além de venda direta a herboristas e clubes de fitness. Hoje, há ainda uma experiência piloto em um oásis no Saara, com apoio público desde 2024, reconhecendo o açafrão como setor agrícola.

A Açafrã é considerada uma das plantas mais caras do mundo, demandando colheita artesanal e um grande esforço humano. Em Béjaïa, clima mediterrâneo e mão de obra são fatores decisivos para o cultivo, que exige muita paciência e trabalho manual ao longo do processo.

Keltouma Adouane, professora que lidera o movimento, relata que a plantação inicial surgiu após superação de uma doença em 2015. Ela buscou orientação de especialistas locais e decidiu expandir a área de cultivo, mesmo diante de dúvidas sobre a adaptação da planta a uma região litorânea com umidade elevada.

Expansão e produção

A iniciativa ampliou o envolvimento feminino, tornando-se um eixo de geração de renda familiar. A produção de cosméticos e alimentos com açafrão ganhou espaço em feiras locais, com a participação de 25 mulheres da rede rural de Béjaïa. O objetivo é ampliar o grupo e diversificar produtos.

Hoje o cultivo exige grande área de campo e manejo cuidadoso de bulbos, que precisam ser replantados periodicamente. O manejo artesanal envolve coleta das flores ao amanhecer e secagem correta para preservar aroma e sabor.

Mercados e apoio institucional

Os compradores incluem herbalistas de Béjaïa e de outras regiões, além de clubes de fitness que utilizam o produto como suplemento. Adouane ressalta que, apesar da demanda, a oferta de açafrão legítimo é restrita na região, com muitos produtos comercializados como corantes.

O governo argelino reconheceu o açafrão como setor agrícola desde 2024, abrindo caminho para maior suporte técnico e financeiro. A meta é expandir a produção para o sul do país e ampliar a capacitação de mais agricultoras.

A líder destaca ainda a importância de envolver mulheres na cadeia produtiva, promovendo a autonomia econômica e a transmissão de conhecimento para as famílias. O projeto já inspira novas produtoras na região e pretende ampliar a linha de produtos à base de açafrão.

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