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Cientistas registram vídeo raro de peixe-gato subindo cachoeiras no Brasil

Milhares de catfish-bumblebee (Rhyacoglanis paranensis) sobem cachoeiras no rio Aquidauana, MS, possivelmente para desova.

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Rhyacoglanis paranensis migrating upstream in Mato Grosso do Sul, Brazil, courtesy of Marinho et al., 2025.
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  • Em novembro de 2024, policiais ambientais e cientistas registraram uma grande agregação de catfishes subindo cachoeiras no rio Aquidauana, em Mato Grosso do Sul, provável desova upstream.
  • O evento envolve milhares de peixe-páprio-bombfish (Rhyacoglanis paranensis), espécie rara de pele/coloração marcada, observada pela primeira vez subindo cachoeiras.
  • Vídeos mostram os peixes abrindo as barbatanas como âncoras e, em partes mais planas, empilhando-se para vencer o passo d’água, em busca de migração.
  • Além de Rhyacoglanis paranensis, outras pequenas espécies também foram vistas subindo as quedas pela primeira vez.
  • Pesquisadores destacam que tais observações ajudam a entender a biologia de peixes de água doce tropicais e sugerem impactos potenciais de barragens nos padrões de migração.

Em novembro de 2024, policiais ambientais e cientistas registraram uma observação inédita: milhares de peixes-gato da espécie Rhyacoglanis paranensis subindo cachoeiras no Rio Aquidauana, em Mato Grosso do Sul. A ação ocorreu após uma sequência de chuvas que elevou o nível das águas, sugerindo migração upstream para desova.

Os vídeos apresentados pelos pesquisadores mostram milhares de catfishes se reunindo em poços na base das quedas, progredindo por trechos rochosos verticais e, em áreas mais planas, escoando uns sobre os outros. A escala da formação explica a raridade de registros semelhantes em espécies da família Pseudopimelodidae.

A espécie Rhyacoglanis paranensis é considerada rara, com conhecimento limitado sobre biologia e comportamento. As observações mostram que o grupo pode manter as barbatanas abertas como apoio, além de possível sucção com o ventre para manter aderência às rochas.

A equipe de estudo, coordenada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, aponta que as imagens indicam um padrão migratório possivelmente ligado ao início da estação das chuvas. A partir dos sinais de maturação de machos e fêmeas na mesma época, a hipótese é de desova upstream.

Além da espécie protagonista, foram avistadas outras pequenas peixes durante a subida, como Characidium zebra, Hypostomus khimaera e Ancistrus spp. Esses registros ampliam o conhecimento sobre a capacidade de escalada de peixes de água doce tropicais.

Os autores ressaltam a importância de entender o impacto de barragens sobre o movimento de peixes menores. A mudança no regime de vazão pode alterar habitats e caminhos migratórios, potencialmente afetando a reprodução de espécies sensíveis.

A pesquisa evidencia ainda a pouca compreensão sobre o comportamento de peixes que vivem em correntes rápidas. Os cientistas destacam a necessidade de mais estudos para mapear padrões de migração, uso de habitats e adaptações físicas.

Os pesquisadores ressaltam que a descoberta reforça a relevância de monitoramento ambiental contínuo na região, especialmente diante de mudanças climáticas e de infraestrutura hídrica. Os resultados podem embasar políticas de conservação de espécies raras.

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