Em Alta Copa do Mundo NotíciasFutebol_POLÍTICA_Brasileconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Queda do tráfico de marfim e escamas de pangolim persiste, diz relatório

Queda persistente no tráfico de marfim e escamas de pangolim após a pandemia, com reforço policial e redução da demanda, indica o relatório

White-bellied pangolin (Phataginus tricuspis), Gabon. Image by bureaubenjamin via iNaturalist (CC BY-NC 4.0).
0:00
Carregando...
0:00
  • Uma pesquisa sobre apreensões de escamas de pangolim e marfim mostra queda acentuada após a pandemia de covid-19, com mais de 370 toneladas de escamas de pangolim e 193 toneladas de marfim apreendidas entre 2015 e 2024.
  • As apreensões de marfim chegaram a um pico em 2019, caíram drasticamente em 2020 e seguem em baixa pós-pandemia, associadas a restrições de viagem e a operações de fiscalização mais eficazes.
  • Em 2015, as apreensões de marfim eram maiores que as de pangolim; as de pangolim atingiram recorde em 2019 (próximo de 100 toneladas) e reduziram-se drasticamente em 2020.
  • Nigéria aparece como importante hub de exportação para ambos os produtos; autoridades têm adotado estratégias nacionais, com cooperação de agências de fiscalização e organizações como Wildlife Justice Commission e Environmental Investigation Agency.
  • O relatório recomenda maior cooperação internacional, investigações de longo prazo, parcerias público-privadas e endurecimento de leis para enfrentar redes de tráfico, ainda que as quedas nas apreensões não necessariamente igualem redução do tráfico.

O recuo observado no tráfico de marfim e de escamas de pangolim desde a pandemia de COVID-19 permanece relativamente acentuado, aponta um relatório da Wildlife Justice Commission (WJC). Dados coletados entre 2015 e 2024 indicam que as autoridades apreenderam mais de 370 toneladas métricas de escamas de pangolim e 193 toneladas de marfim de elefante nesse período, com picos em 2019 e queda a partir de 2020 em diante.

Segundo a WJC, as apreensões começaram a subir em 2015, atingiram o auge em 2019 e despencaram em 2020, coincidindo com o início das medidas de containment da pandemia e com reforço de ações de inteligência e fiscalização. Mesmo após o período inicial de choque, a tendência de queda persiste, à medida que países intensificam a aplicação da lei e a coleta de informações.

Olivia Swaak-Goldman, diretora-executiva da WJC, afirma que o estudo atualizou o panorama sobre a dinâmica do crime envolvendo marfim e escamas de pangolim, destacando mudanças desde pesquisas anteriores. Ela ressalta que o relatório não apenas descreve quedas, mas aponta como redes criminosas se adaptam a novos cenários.

Panorama das apreensões e mudanças no comércio

Entre 2015 e 2024, as autoridades registraram picos de apreensão de pangolim em 2019, com quase 100 toneladas, e de marfim em 2019, com mais de 40 toneladas. Em 2020, os números caíram significativamente, com menos de 10 toneladas de marfim e cerca de 20 toneladas de pangolim. A queda pós-pandemia permanece, com reduções adicionais em grandes apreensões.

Pesquisas indicam que a queda pode refletir não apenas menor disponibilidade de animais, mas também maior risco para traficantes e maior eficiência de fiscalização. Percepção de risco elevada, prisões e processos ajudaram a frear as operações em hotspots, especialmente na Nigéria e na China. A Nigéria adotou uma estratégia nacional de combate a crimes contra a vida selvagem entre 2022 e 2026, fortalecendo marcos legais, capacidades investigativas e parcerias com organizações não governamentais.

Autoras consultadas destacam que a queda nas apreensões não necessariamente significa queda real no tráfico, já que grande parte do comércio permanece não detectado. A continuação de estoques de pangolim na África sugere demanda ainda existente, com traficantes ajustando operações para evitar captura.

Hotspots e respostas institucionais

A Nigéria aparece como centro de exportação para ambos os itens, com operações envolvendo autoridades aduaneiras em cooperação com a WJC e a Environmental Investigation Agency (EIA). Outros países africanos como Camarões, República Democrática do Congo, Angola e Moçambique surgem como pontos relevantes de circulação de escamas de pangolim e de tráfego de marfim, com Moçambique fortalecendo ações de aplicação da lei após decisões judiciais de 2024 e avanços em planos de combate ao crime.

No âmbito internacional, o relatório recomenda cooperação entre países para compartilhamento de inteligência, joint ventures entre autoridades e organizações da sociedade civil, além de maior priorização de crimes contra a vida selvagem e ações para interromper a cadeia de compra de marfim e escamas. A análise também aponta que a queda de preços de pangolim e de marfim pode ter contribuído para reduzir a lucratividade do comércio ilegal.

Observações técnicas e perspectivas

Especialistas observam que o resultado positivo pode indicar mudanças estruturais nos mercados e na fiscalização, mas alertam para a necessidade de monitoramento contínuo. Dados de rastreamento de crimes ambientais de organizações como a EIA indicam que, entre 2023 e abril de 2025, houve apreensões de marfim, principalmente em grandes operações, ainda que o ritmo esteja sob avaliação. A continuidade de esforços de investigação, com foco em grandes operadores, é destacada como crucial para consolidar ganhos.

A equipe da WJC aponta que a dinâmica do comércio ilegal tem se mantido desafiadora, com redes buscando novas rotas e modos de ocultação. As autoridades brasileiras e de outros países africanos são chamadas a ampliar as estratégias de inteligência, investigações prolongadas e cooperação transnacional para desmantelar redes financeiras e logísticas por trás do tráfico.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais