- Um terço dos britânicos afirma ter mudado de classe social, com o termo “polyclass” usado para cerca de 6 milhões que se identificam com mais de uma classe.
- A pesquisa, com 2.000 pessoas, indica que quem está na faixa upper-middle e upper é mais propenso a pertencer a mais de uma classe.
- Pessoas da classe trabalhadora foram as menos propensas a dizer que mudaram de classe; 70% permaneceram na mesma categoria de nascimento.
- A tendência de mudança de classe é mais comum entre millennials, segundo o estudo; trabalhadores da base social mudaram com menos frequência.
- Outros dados associam mobilidade social a bem-estar, destacando uma “gap” de felicidade entre classes, com indivíduos de origens mais ricas apresentando maior bem-estar.
A britânicos estão adotando múltiplas categorias sociais. Um estudo conduzido pela Attest, com 2.000 participantes, aponta que cerca de um terço afirma ter mudado de classe social, e o conceito de “polyclass” descreve aproximadamente 6 milhões que se reconhecem em mais de uma classe ao mesmo tempo. A pesquisa foi feita no Reino Unido.
Entre os que reportaram mudança, as faixas alta-média e alta foram as mais propensas a se verem em mais de uma classe, enquanto a classe operária teve menor variação. Setenta por cento disseram pertencer à mesma categoria de origem. O levantamento aponta um halo de incerteza sobre rótulos clássicos de classe.
O estudo destaca ainda que quase metade dos respondentes já se sentiu avaliado pela própria classe, e a visão de classe costuma superar idade, gênero, etnia e orientação sexual na percepção de como são vistos pelos outros. O termo polyclass reflete fronteiras menos definidas entre classes no país.
Mudanças na percepção de classe
Para o pesquisador Dominic Abrams, o conceito ajuda a entender um cenário de fronteiras mais borradas. Categorias tradicionais como ABC1 perdem utilidade como sinal de crença ou posição social, acrescentando que muita gente afirma ter mudado de classe.
A visão de mobilidade também se destaca entre os millennials, com quase metade declarando ter mudado de classe ou ter adotado mais de uma. Já entre trabalhadores, a mudança é menos frequente, o que aponta raízes culturais mais estáveis.
Impacto no bem-estar, segundo pesquisa separada
Outra pesquisa, conduzida pela Sutton Trust, aponta uma “lacuna de felicidade” entre classes. Pessoas de origem operária que ascenderam a empregos melhores não alcançaram o mesmo patamar de bem-estar de colegas de classes média e alta.
O estudo indica que quem sobe de status pode ficar mais feliz, mas indivíduos de origens mais abastadas tendem a manter os níveis de bem-estar mais altos, aparentemente por possuir rede de segurança financeira. Fonte de renda não é o único determinante da satisfação.
Nick Harrison, chefe executivo da Sutton Trust, afirma que a mobilidade social melhora vidas, mas nem sempre garante felicidade. A melhoria de oportunidades precisa ser acompanhada de educação, acesso a carreiras e investimento comunitário para ampliar bem-estar.
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