- Gareth Gore publicou, em 2024, o livro Opus, acusando décadas de manipulação e abuso pelo Opus Dei, grupo católico que nega as acusações.
- O autor afirma que o Opus Dei teve ligações com a ditadura de Franco e apoiou causas conservadoras ao redor do mundo, envolvendo-se em supostos casos de grooming, tráfico humano e controle psicológico.
- Segundo Gore, membros mais abstinentes, chamados numerários, vivem em regimes rígidos, com práticas de endurecimento físico, uso de cilice e controle total da liderança; há relatos de abuso psicológico e uso de medicamentos.
- Gore descreve uma relação estreita entre o Opus Dei e o Vaticano, e relata ter sido convidado pelo Papa a apresentar suas evidências em audiência particular, com transmissão de câmeras.
- Investigações já em curso incluem ações na Argentina por tráfico de mulheres e exploração; Opus Dei nega envolvimento em atividades comerciais e defende a proteção de menores, enquanto o debate sobre canonização de Escrivá persiste.
Gareth Gore lançou em 2024 o livro Opus, uma investigação sobre a Opus Dei, grupo católico acusado de abusos e de uma rede de influência global. O autor afirma que a organização manipulou pessoas e financiou ações políticas.
O livro sustenta que a Opus Dei envolve-se em abusos de crianças, tráfico humano e controle psicológico. Formeres membros relatam uso de confissões privadas como alavanca; a entidade nega as acusações.
Gore diz que a Igreja Católica, ao apoiar financeiramente a Opus Dei na década de 1970, permitiu que ela atuasse fora das estruturas vaticanas. Em 2002, Escrivá foi canonizado, gerando controvérsias internas.
Gore estava viajando pela Califórnia quando recebeu a ligação para audiência particular com o papa, no Vaticano. Ele afirma ter recebido autorização rápida para a reunião.
O encontro ocorreu após anos de apuração do autor, que entrevistou centenas de ex-membros e consultou documentos internos. A meta era apresentar ao pontífice informações sem filtros.
Entrevista e respostas do papa
Gore relata que o papa pediu perguntas incisivas e que a reunião durou mais que o previsto. Segundo Gore, o papa autorizou tornar o encontro público com câmeras presentes.
O autor afirma que o Vaticano tem a Opus Dei sob influência, o que dificultaria reformas radicais. O encontro, segundo ele, enviou um sinal para a organização.
Status canônico e poderes do Vaticano
A Opus Dei recebeu status de prelatura pessoal, com pouca supervisão de bispos locais. O Vaticano pode influenciar práticas internas, mas o poder de agir é limitado pela natureza do acordo.
Francisco abriu ações em 2022 para ajustar a conduta da entidade, mas não houve diálogo público com ex-membros ou jornalistas. Gore recomenda investigação independente ampla.
Investigação e desdobramentos
Governos estudam denúncias: Argentina abriu investigação sobre exploração e tráfico de mulheres e meninas ligadas à Opus Dei. Casos surgem também na Irlanda, México, França, Espanha.
A entidade nega envolvimento em atividades comerciais e afirma apoiar a proteção de menores. A Opus Dei relata que a maioria dos membros vive de forma autônoma, sem controle externo.
Perspectivas e próximos passos
Gore sugere que se abra uma investigação independente completa sobre abusos, espirituais e físicos. O Vaticano já concedeu mudanças administrativas, mas sem ouvir os denunciantes.
A reportagem destaca que existem cerca de 300 escolas católicas ligadas à organização em várias regiões. Autoridades devem avaliar práticas de proteção de menores.
Contexto político e legado
O livro argumenta que a Opus Dei atuou para influenciar o poder político, jurídico e midiático. A organização nega newsroom ou ocultação de informações, citando “falhas” no livro.
Gore afirma que a canonização de Escrivá mantém a legitimidade da Opus Dei no Vaticano, dificultando reformas profundas. A história envolve credos, políticas e controvérsias éticas.
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