- O livro Sertanejo Universitário, Agronegócio e Indústria Cultural, de Caíque Carvalho, analisa como a reprimarização da economia impulsionou o sertanejo universitário e sua relação com o agronegócio no Brasil.
- O autor explica que o crescimento do estilo, apoiado pela expansão de cidades médias, ocorreu a partir dos anos 1980 e ganhou força com o ensino superior nas regiões interioranas, especialmente no Centro-Oeste.
- A obra aponta a entrada de universitários no público do sertanejo e a presença de artistas em cursos ligados ao agronegócio, além da montagem do subgênero por meio de letras que variaram de temas afetivos a desapego e festa.
- O marco do movimento é destacado na música Ai Se Eu te Pego, de Michel Teló, lançada em 2008, e o livro analisa as letras que moldaram a estética do sertanejo universitário.
- Carvalho argumenta que as feiras agropecuárias passaram a funcionar como espaços de circulação musical, evidenciando a modernidade do agronegócio ao mesmo tempo em que preservam sua tradição rural, conectando indústria cultural e economia do campo.
A reprimarização da economia brasileira, marcada pela predominância de commodities agrícolas nas exportações, moldou o cenário cultural do país neste início de século. Nesse contexto, o sertanejo universitário ganhou força, ampliando seu público entre jovens e profissionais do interior urbano.
O livro Sertanejo Universitário, Agronegócio e Indústria Cultural, de Caíque Carvalho, analisa essa relação. O autor possui mestrado e doutorado em sociologia pela UFBA e já pesquisou o tema ao longo de sua carreira acadêmica.
Carvalho aponta que o fortalecimento de cidades médias, sobretudo no Centro-Oeste, demandou mão de obra qualificada e estimulou a abertura de ensino superior nas regiões interioranas. O sertanejo universitário surge nesse cenário social em transformação.
A obra descreve a ascensão do gênero para um público universitário e para quem ingressou na faculdade buscando inserção no mercado de trabalho na primeira década dos anos 2000. O movimento acompanha mudanças nas dinâmicas familiares e sociais.
Segundo o estudo, o conteúdo das canções passou a tratar menos de romance e mais de desapego, festas e vivências associadas ao universo universitário, refletindo um novo tempo de transformação social. O livro relaciona isso às políticas públicas dos primeiros mandatos de Lula.
Carvalho recorda que artistas do sertanejo universitário frequentaram cursos superiores desde o início do subgênero, com exemplos como João Bosco e Vinícius, pioneiros, e Mateus, da dupla com Jorge, que estudou agronomia, bem como Sorocaba, da dupla com Fernando.
O marco do gênero é associado à música Ai Se Eu te Pego, de 2008, que o autor analisa dentro da estética do sertanejo universitário. A obra investiga as nuances da formação do subgênero e suas letras marcantes.
Os artistas passaram a atuar com frequência em feiras agropecuárias, espaços de circulação musical vinculados ao agronegócio. A presença nesse tipo de evento reforça a relação entre indústria cultural e setor econômico, segundo o livro.
A análise de Carvalho reforça a ideia de que a modernidade do agronegócio está ligada à jovialidade e à tradição do campo, evidenciando uma parceria contínua entre cultura e economia. O estudo oferece uma leitura sobre a aproximação ideológica do sertanejo com o agronegócio.
Caíque Carvalho busca, assim, esclarecer como o sertanejo universitário se inseriu na esfera cultural e econômica do país, em especial no ciclo recente de reprimarização. O livro compõe uma leitura integrada sobre o tema e seus desdobramentos.
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