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Banda censurada na ditadura receberá indenização do Estado

Ave Sangria receberá indenização vitalícia de R$ 2 mil por mês, mais retroativos, após reconhecer danos da censura da ditadura de 1974 à banda

Banda Ave Sangria receberá reparação por censura no período da ditadura militar – foto: Sarah Quines/EBC
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  • A banda pernambucana Ave Sangria teve disco censurado em 1974 pela ditadura, por causa da música Seu Waldir, que tratava de amor entre homens, levando à apreensão de todos os lançamentos.
  • O segundo disco previsto foi cancelado pela gravadora, a banda se desfez e só retornou nos anos 2010.
  • A Comissão de Anistia, do Ministério dos Direitos Humanos, decidiu pela indenização vitalícia de R$ 2 mil por mês, com retroativo desde o protocolo, reconhecendo as perseguições sofridas.
  • O conselheiro Manoel Moraes afirmou que a interrupção da carreira foi dano irreparável e que a reparação representa reconhecimento público e pedido de desculpas pelos atos de exceção.
  • Em 2019, o grupo lançou o segundo disco após 45 anos, e, em 2023, foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Recife; Marco Polo comenta sobre justiça e emoção com a decisão.

O grupo pernambucano Ave Sangria receberá indenização do Estado por causa da censura durante a ditadura. A decisão foi aprovada pela Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania na última quinta-feira, 26. O caso envolve a interrupção da carreira da banda após a censura de 1974.

A música Seu Waldir, que abordava o amor entre homens, teve a letra interpretada como atentado à moral pela ditadura, levando ao recolhimento de todos os discos nas lojas. Com o bloqueio, o segundo álbum foi cancelado pela gravadora e a banda acabou separando-se.

Segundo a Comissão de Anistia, o processo reuniu provas das perseguições vividas pelos músicos, o que justificou a indenização vitalícia de 2 mil reais por mês, com retroativos desde o protocolo. O conselheiro destacou o reconhecimento público do dano.

Para Manoel Moraes, conselheiro da comissão, a interrupção da carreira foi um dano irreparável. Ele afirmou que houve o pedido de desculpas pelo período de exceção contra os integrantes e a cultura popular.

Marco Polo, vocalista e compositor, disse que a notícia trouxe emoção e alívio. Ele lembrou que o episódio não é apenas financeiro, mas um reconhecimento da injustiça contra a banda e a democracia.

Almir de Oliveira, na formação original, reforçou a importância do reparo financeiro e do legado de justiça. Em 2019, a Ave Sangria retornou aos palcos com o segundo disco, 45 anos depois.

Reconhecimento cultural e legado

Em 2023, a Ave Sangria foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Recife, o que reforça o papel da banda na história da música regional e na memória cultural da cidade. A atuação da Comissão de Anistia visa reparar danos causados pela censura.

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