- O Ministério da Esportes, Artes e Cultura aprovou, em 6 de fevereiro, a mudança de Graaff-Reinet para Robert Sobukwe, o que dividiu moradores.
- A proposta pretende homenagear o ativista anti‑apartheid, nascido e enterrado na cidade, como parte da transformação do país.
- Pesquisa de dezembro de 2023 mostrou 83,6% de rejeição à mudança, incluindo 92,9% dos Colored e 98,5% dos brancos; Black aprovaram em torno de um terço.
- Críticos temem que a troca de nome favoreça tensões raciais e prejudique o turismo local; apoiadores veem a mudança como reparação histórica.
- O país já teve mais de mil nomes alterados desde 2000, com Port Elizabeth virando Gqeberha em 2021, segundo base de dados oficial.
O debate sobre a mudança do nome da cidade Graaff-Reinet para Robert Sobukwe ganhou contornos reais na sexta-feira, quando o Ministério da Esportes, Artes e Cultura aprovou a alteração. A decisão, anunciada após o envio de péticas e manifestações, busca honrar o ativista antiapartheid Robert Sobukwe, nascido e enterrado na região.
A decisão gerou reação entre moradores. Parte da população sente forte apego ao nome original, que remonta ao governador holandês Cornelis Jacob van de Graaff e à esposa Hester Reynet, em 1786. Outros defendem a mudança como parte de uma transformação histórica do país.
Segundo o ministério, a mudança integra um esforço de transformar o sistema de nomenclatura geográfica e promover justiça restaurativa, reconhecendo o legado colonial e do apartheid. O anúncio cita 21 alterações de nomes, incluindo Graaff-Reinet, como parte dessa política.
Dados de um levantamento de dezembro de 2023 indicaram forte resistência local: 83,6% dos moradores eram contrários à mudança, com apoio minoritário principalmente entre pretos, brancos e alguns pretos. O estudo envolveu 367 entrevistados representativos da comunidade.
Em Graaff-Reinet, a população total fica em torno de 51 mil habitantes, com centro histórico de arquitetura colonial. Críticos argumentam que a mudança pode impactar o turismo e a identidade cultural de antigos residentes, conhecidos como Graaff-Reinetters.
Entre apoiadores, há quem veja na mudança uma oportunidade de reconhecer Sobukwe, figura central na luta pela libertação e na história do país. Ato simbólico para alguns, a mudança é vista como demonstração de transformação institucional.
Entidades locais relatam que o tema já gerou manifestações públicas, contrárias e favoráveis, com marchas e contestações formais a respeito do processo de consulta pública. Ainda não houve indicação de datas para a implementação formal do novo nome.
A Câmara local pediu esclarecimentos adicionais e solicitações de revisão, com representantes assegurando que o debate continuará, mesmo após a confirmação do ministério. As tensões entre comunidades continuam, especialmente entre grupos históricos com identidades distintas.
Ao longo da região, a mudança de topônimos tem sido comum desde 2000, com centenas de alterações em todo o país para refletir a diversidade histórica. Em 2021, Port Elizabeth passou a ser chamada Gqeberha, entre exemplos recentes.
O caso de Graaff-Reinet envolve também memória coletiva sobre a era colonial e as lutas de resistência. Autores e pesquisadores destacam que o reconhecimento de Sobukwe pode ser visto como parte de uma agenda pública de transformação.
A família Sobukwe não participou de aberto, mas a comunidade local segue dividida entre preservar a identidade tradicional e incorporar o reconhecimento histórico proposto pelo governo. A cidade continua sob vigilância de imprensa e autoridades.
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