- Sarah Mullally será instalada como 106ª arcebispa de Canterbury, a primeira mulher a ocupar o cargo em quase 1.500 anos, em um momento de transição para a Igreja da Inglaterra.
- O papel é de alto perfil, mas com poder para promover mudanças limitadas, em meio a falhas de proteção, divisão interna e questionamentos sobre o papel da igreja na vida pública britânica.
- O legado de Justin Welby envolve controvérsias sobre proteção de menores; Mullally já enfrentou escrutínio em um caso de abuso, mas teve a conduta considerada adequada pela avaliação correspondente.
- Desafios incluem a divisão global da igreja, resistência de alguns grupos a mulheres sacerdotes e tensões sobre reformas ligadas a LGBTQ+ e ao projeto Spire.
- A igreja mantém assentos na Câmara dos Lordes; Mullally terá, no máximo, seis anos no cargo, refletindo a idade de aposentadoria de setenta anos.
Sarah Mullally será instalada hoje como 106ª arcebispa de Canterbury, a primeira mulher a ocupar o cargo em quase 1.500 anos. O ato marca uma transição para a Igreja da Inglaterra, diante de críticas sobre proteção de menores e disputas internas.
A nomeação ocorre em um momento de dificuldades: a instituição enfrenta casos de safeguarding, divisão interna e questionamentos sobre seu papel na vida pública britânica. Mullally assume com o desafio de restaurar confiança e estabilizar a kirche.
Mullally já atuava como bispa de Londres e é formada em escola estatal, com passagem pelo NHS; chega de perfil diferente do predecessor, Justin Welby. Ela reconhece experiências de misoginia, mas aponta apoio amplo ao seu ingresso.
Para Harriet Sherwood, ex-jornalista do Guardian, a função tem visibilidade alta, mas poder limitado para mudanças rápidas. A nova líder quer colocar a proteção de vítimas no centro das ações da igreja.
Entre as tarefas, está lidar com uma igreja-global dividida: há comunidades que não reconhecem mulheres ordenadas, além de debates persistentes sobre sexualidade e casamento gay. A generalidade synod já interrompeu avanços recentes.
A cerimônia de hoje terá presença de representantes nacionais e internacionais, incluindo o príncipe William, o primeiro-ministro e o líder da oposição. O momento é visto como expressão de relevância cultural e institucional.
O legado de Welby envolve críticas por falhas de proteção e por uma comunicação pública considerada inadequada em alguns casos. Mullally chega com a promessa de enfrentar o tema com transparência e proximidade com as vítimas.
Ao assumir, Mullally encontra ainda questões como o projeto Spire, ligado a reparações históricas, e o desafio de manter a relevância de uma igreja que pode encerrar muitas estruturas por conta de custos. O tempo dirá o impacto de sua gestão.
Este é o retrato do momento: uma líder histórica, diante de uma igreja em transição, buscando equilíbrio entre tradição, reforma e responsabilidade. A exemplo das decisões que virão, o papel de Mullally é observado de perto pela comunidade britânica e pela comunidade anglicana global.
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