- Autoridades da China intensificaram a pressão sobre advogados que defendem líderes da Igreja Sião de Pequim, após a detenção do pastor Ezra Jin, em outubro de 2025.
- O advogado Zhang Kai teve a licença para exercer a profissão revogada; outros advogados ligados ao caso tiveram licenças suspensas ou foram advertidos.
- Cerca de 30 membros da igreja foram presos ou desapareceram em cidades como Pequim, Xangai e Shenzhen; pelo menos 18 permanecem detidos na região sul.
- Representantes da igreja afirmam que as medidas violam o Estado de Direito e dificultam o acesso da família à saúde do líder e à construção da defesa.
- A repercussão internacional incluiu pedido de libertação feito pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que condenou a repressão a cristãos que não seguem diretrizes estatais.
A China intensificou a pressão sobre advogados que atuam na defesa de líderes da Igreja Sião de Pequim, uma igreja doméstica protestante. O pastor Ezra Jin, conhecido como Jin Mingri, está detido há cerca de cinco meses. A ação ocorreu em meio a uma operação que mobilizou autoridades internacionais.
Segundo o The Wall Street Journal, o advogado Zhang Kai teve a licença para exercer a profissão revogada. Outros juristas ligados ao caso tiveram licenças suspensas ou foram advertidos em encontros com autoridades.
Representantes da igreja afirmam que as medidas violam o Estado de Direito. Grace Jin, filha do pastor, disse que a pressão dificulta o acesso da família a informações sobre a saúde dele e compromete a defesa legal, potencialmente atrasando o andamento do processo.
Contexto e desdobramentos
Ezra Jin foi detido em outubro de 2025, na residência dele, em Beihai, na Guangxi. Na mesma operação, cerca de 30 membros e líderes da Igreja Sião foram presos ou desapareceram em cidades como Pequim, Xangai e Shenzhen. Govira informações indicam que ao menos 18 pessoas permanecem detidas na região sul do país.
Reação internacional
O caso ganhou notoriedade internacional. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pediu a libertação do pastor e criticou a postura do governo chinês, afirmando que a repressão atinge cristãos que não seguem as diretrizes estatais.
Ezra Jin, de 56 anos, fundou a Igreja Sião em 2007, após estudo no Seminário Teológico Fuller, nos EUA. Ele se converteu ao cristianismo depois de participar dos protestos de Tiananmen, em 1989, e tornou-se um dos principais líderes das igrejas domésticas no país.
A igreja passou a realizar cultos online após o fechamento do templo em Pequim, em 2018. As transmissões online chegaram a reunir milhares de participantes, ampliando a vigilância das autoridades sobre o movimento.
Na China, a Constituição prevê liberdade religiosa, mas o Estado reconhece apenas organizações autorizadas. Igrejas que operam fora do sistema oficial enfrentam restrições, vigilância e ações policiais, com estimativa de milhões de cristãos frequentando igrejas domésticas no país.
Familiares relatam que o pastor já recebia vigilância antes da prisão e era impedido de deixar o país. Após a detenção, a família perdeu o contato com ele, e não há confirmação pública sobre eventual acusação formal, de acordo com a imprensa internacional.
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