- Uma página perdida do palimpsesto de Arquimedes foi identificada no Museu de Belas Artes de Blois, na França, como a página 123 do texto que contém trechos do tratado Sobre a Esfera e o Cilindro.
- O achado foi feito pelo historiador Victor Gysembergh, pesquisador do CNRS, que comparou a caligrafia e diagramas com as imagens de 1906.
- O Palimpsesto de Arquimedes é um manuscrito do século X, produzido em Constantinopla, cuja camada original foi raspada e sobreposta a um livro de orações.
- A página preserva trechos originais de Arquimedes, enquanto no outro lado há uma ilustração do profeta Daniel acrescentada no século XX, o que dificulta a leitura do conteúdo subjacente.
- Pesquisadores planejam usar técnicas de imagem multiespectral e raios X para tentar recuperar mais textos desconhecidos do manuscrito e, eventualmente, localizar as outras duas páginas desaparecidas.
Uma página que se acreditava perdida de um manuscrito milenar de Arquimedes foi redescoberta no interior da França. A folha, conhecida como página 123 do Palimpsesto de Arquimedes, aparece no Musée des Beaux-Arts de Blois após uma identificação feita pelo historiador Victor Gysembergh, do CNRS. Trata-se de trechos do tratado Sobre a Esfera e o Cilindro.
A recuperação ocorreu de forma casual durante uma pesquisa local. Gysembergh consultou o catálogo digital do museu de Blois e, ao comparar com imagens históricas de 1906, constatou coincidências de caligrafia, diagramas e pequenos deslizes. A confirmação veio pela correspondência com fotos antigas.
O Palimpsesto de Arquimedes é uma cópia do século 10, possivelmente de Constantinopla, que reúne trabalhos do matemático grego e textos de outros autores. O documento foi redesenhado na Idade Média, quando monges apagaram originais para escrever orações sobre eles. Assim, o conteúdo original sobreviveu parcialmente.
No museu de Blois, a página aparece com uma camada de texto de oração que cobre parte de diagramas e trechos de Arquimedes, enquanto em outra face há uma ilustração do profeta Daniel que impede a leitura do que está por baixo. Técnicas modernas visam revelar o conteúdo oculto.
Para avançar, pesquisadores pretendem usar imagens multiespectrais adicionais e, em seguida, raios X para detectar restos de tinta invisíveis a olho nu. Esses métodosbuscam recuperar partes ainda desconhecidas da obra do geômetra.
A descoberta reabre o interesse pela história do palimpsesto. Gysembergh afirma que, se outras instituições ou coleções privadas possuírem palimpsestos semelhantes, elas devem considerar a possibilidade de localizar as outras páginas perdidas.
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