- A Polícia Federal abriu inquérito para investigar a divulgação da trend “Caso ela diga não” nas redes sociais, que incita violência contra mulheres, com vídeos simulando agressões a manequins.
- Os conteúdos viralizaram no TikTok; a plataforma afirmou que violam regras, foram removidos e a remoção foi solicitada à rede.
- Os fatos ocorrem dias após uma adolescente de 17 anos denunciar estupro coletivo no Rio de Janeiro, em Copacabana, classificado pela polícia como emboscada planejada.
- Estudo global da Ipsos e do King’s College de Londres aponta que a geração Z tem visões mais conservadoras em relação a papéis de gênero, com pressão para que esposas obedeçam aos maridos, influenciada pelas redes sociais.
- No Congresso, projetos para enfrentar a misoginia ganham força: na Câmara, Sâmia Bomfim propõe criminalizar misoginia e conteúdos da cultura “red pill”; no Senado, CDH analisa incluir misoginia na Lei do Racismo.
O caso chamado Caso ela diga não ganhou repercussão após a Polícia Federal abrir um inquérito para investigar a divulgação de vídeos que simulam violência contra mulheres. As imagens, divulgadas nas redes sociais, viralizaram no TikTok e mostravam jovens reagindo a rejeições com agressões a manequins. A PF pediu à plataforma a remoção dos conteúdos, que já foi atendida, segundo a instituição.
A divulgação gerou debates sobre misoginia on-line e suas consequências na vida real. A reportagem cita que uma adolescente de 17 anos foi vítima de estupro coletivo no Rio de Janeiro, episódio que reacende a discussão sobre violência de gênero e impunidade. As autoridades classificaram o crime como emboscada planejada.
Especialistas ressaltam o papel das redes sociais na mudança de atitudes entre jovens homens. Um estudo global da Ipsos e do King’s College de Londres avaliou 23 mil pessoas em 29 países. O trabalho aponta que até 31% de homens jovens acreditam que a esposa deve obedecer ao marido, índice superior ao de homens mais velhos.
Na avaliação de Heejung Chung, diretora do Institute Global para a Liderança das Mulheres, as plataformas ajudam a difundir narrativas que reforçam a dominância masculina. Ela destaca o uso de conteúdos que sugerem a necessidade de reafirmar a posição de protetores e provedores.
Penny East, executiva da Sociedade Fawcett, enfatiza que os níveis de misoginia online e offline estão entre os fatores que moldam atitudes entre jovens. Segundo a pesquisadora, o consumo diário de conteúdo na internet influencia comportamentos e percepções de gênero.
Dados da pesquisa indicam ainda que 44% dos respondentes acreditam ter ido longe demais ao promover a igualdade e a compreensão de que homens podem sentir-se prejudicados pela emancipação feminina. A ONU Mulheres reforça que nenhum país alcançou plena igualdade legal.
A discussão sobre políticas públicas ganhou vulto no Congresso. Na Câmara, a deputada Sâmia Bomfim propõe criminalizar a misoginia e a disseminação de conteúdos ligados à cultura red pill na internet. A proposta mira redes, fóruns e comunidades online.
No Senado, a Comissão de Direitos Humanos deve avaliar um projeto que amplia a Lei do Racismo para incluir a misoginia, qualificando-a como crime de discriminação. O texto, de autoria da senadora Ana Paula Lobato, pode ampliar o alcance de punições.
A serem consideradas, as propostas buscam responsabilizar conteúdos que promovam ódio, humilhação ou inferiorização de mulheres, com reflexos diretos no debate público sobre violência de gênero. A tramitação ocorre em meio a casos recentes de violência e debates sobre redes sociais.
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