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Nova ferramenta para enfrentar a opressão social

Pellegrino defende a psicanálise pública como instrumento de combate à opressão social durante a ditadura e na busca por democracia

Pellegrino lutou em várias frentes contra a ditadura – Imagem: Acervo/IMS-SP
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  • Hélio Pellegrino foi uma das primeiras figuras da psicanalise brasileira a entrar no debate político e levar a prática para periferias.
  • O livro compilado *A Burrice do Demônio* reúne textos de Pellegrino escritos entre 1968 e 1988, ressaltando sua atuação como psicanalista público.
  • Pellegrino criou as Clínicas Sociais de Psicanálise, visando levar a escuta clínica a classes economicamente desfavorecidas e responder aos impactos da opressão social.
  • O trabalho dele dialogou com a resistência à ditadura, crítica social e propostas de mudança, conectando psicanálise, religião e pensamento marxista, bem como a crítica ao conservadorismo.
  • Os textos destacam a ideia de que a psicanálise pode ser uma arma contra a opressão, indo além da clínica para pensar o país que lutava pela redemocratização.

Foi Hélio Pellegrino (1924–1988), um dos primeiros psicanalistas brasileiros a ingressar no debate político, quem levou a clínica para as periferias. Sua trajetória marca uma virada ao ampliar a atuação pública da psicanálise no Brasil.

A obra publicada sobre sua vida e pensamento recolhe textos que o autor escreveu para a imprensa entre 1968 e 1988. Nele, Pellegrino critica a tortura, a ditadura e o conservadorismo, defendendo um papel público da psicanálise. A publicação reforça sua importância na história popular da psicanálise.

A pesquisa mencionada aponta que, nos anos 60 e 70, grande parte dos psicanalistas era de elites urbanas ou rurais, o que influenciava a visão de Brasil e de modernização. A obra contextualiza essa produção intelectual em tempos de repressão.

Hélio Pellegrino e as Clínicas Sociais de Psicanálise

Pellegrino criou as Clínicas Sociais de Psicanálise, visando levar escuta psicanalítica a populações economicamente desfavorecidas. O modelo remete a referências internacionais, como Wilhelm Reich e grupos de psicologia social na Argentina.

O psicanalista enfrentou a ditadura ao atuar politicamente tanto na clínica quanto fora dela, tornando-se uma peça-chave na história popular da psicanálise brasileira. Sua atuação incluiu críticas a políticas de saúde mental e posições conservadoras.

O conjunto de textos revela Pellegrino engajado na produção cultural de seu tempo, dialogando com literatura e artes visuais. Ele defende que a psicanálise não pode se limitar a contenção de danos, mas denunciar falhas da sociedade.

Contexto e legado

O autor enfatiza que a psicanálise brasileira reproduz, desde o início, duas frentes: uma voltada à adaptação a normas sociais em colapso e outra que busca transformar as condições de opressão. Pellegrino encarnou essa segunda linha, mobilizando religião e crítica social.

Segundo a obra, o psicanalista rejeitava a ideia de um pacto edípico que suprimisse impulsos destrutivos sem promover justiça social. O objetivo era expor promessas não cumpridas pela sociedade e o sofrimento vigente.

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