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Mercados param: os muitos mundos de Jerusalém se cruzam numa pescaria

Pescaria na Jerusalém oriental revela convivência de migrantes estrangeiros durante o rezo de sexta, com regras religiosas e impacto no comércio local

Compra de pescado y marisco al terminar el rezo del mediodía en una pescadería cerca de la Puerta de Damasco de Jerusalén, el 6 de febrero.
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  • Na sexta-feira ao meio-dia, a chamada à oração interrompe as compras na pescaria Al Natshatrata, onde há uma corrida por peixes antes do rezo.
  • Durante o rezo do viernes, as transações de comércio são haram (proibidas), o que aumenta a pressa dos clientes.
  • A maioria dos clientes são trabalhadores estrangeiros — chineses, indianos, filipinos e outros — que chegam em busca de marisco desgelado para levar.
  • A pescaria fica na região palestina, perto da porta Damascus, com pouca presença de clientes judeus; muitos trabalhadores chegam por meio de políticas de migração que flexibilizaram a entrada de não judeus.
  • O proprietário Louai Nachi destaca que o Friday é o dia mais movimentado, que o negócio depende de fornecedores israelenses e que TikTok impulsiona a demanda por marisco entre jovens palestinos.

Um comércio de pescado em Jerusalém vira ponto de encontro de migrantes todas as sextas-feiras. Em meio à pausa do rezo muçulmano, eles chegam para comprar ou apenas observar as caixas de frutos do mar, diante de regras alimentares que moldam a circulação de pessoas na cidade.

A feira fica na faixa palestina, perto da Porta de Damascus, próximo da antiga cidade murada. Vendedores árabes trabalham sob toldos, movimentam caixas e mantêm o gelo. O ritmo muda quando vence o intervalo de cinco minutos prometido, que se prolonga por dezenas de minutos.

O principal elo entre produtores, clientes e curiosos é Louai Nachi, dono da pescaria Al Natshatrata. Contando com trabalhadores estrangeiros, ele diz que sexta é o dia de maior movimento, com a semana de trabalho indo de domingo a quinta. O fluxo de clientes aumenta perto do pôr do sol.

O perfil dos clientes e o contexto migratório

A maioria dos fregueses é de estrangeiros. Muitos são chineses, indianos, filipinos ou malauís, que chegam com bicicletas elétricas para comprar pescado a descongelar. Pequenas filas se formam em frente às caixas, enquanto pescados como douradas, lulas e camarões são preparados sob sombra de lona.

A pescaria recebe compradores de várias origens, inclusive de Tel Aviv, motivados pela proximidade do sábado judaico e pela diferença de preços. Em Israel, políticas migratórias restringem a entrada de não-judios, mas há abertura para trabalhadores estrangeiros, ainda que com condições distintas de residência e emprego.

Aspectos culturais e comerciais

A prática alimentar judaica, a Kashrut, proíbe mariscos entre muitos judeus, o que cria um contraste com a demanda de diferentes comunidades. Palestinos, que seguem o islamismo ou o cristianismo, costumam consumir frutos do mar com mais liberdade, reforçando a diversidade gastronômica que convive na cidade.

Entre compradores, há também histórias pessoais: alguns pais palestinos adquiriram peixes para cozinhar pratos específicos; outras narrativas destacam o uso de redes sociais como o TikTok, que inspira o consumo de mariscos às vezes muito distantes da realidade local.

Slava, um ucraniano que chegou recentemente a Israel, comenta sobre o sabor dos frutos do mar locais e revela que nem todos os hábitos alimentares migratórios se alinham ao novo lar. O comentário ilustra as tensões e curiosidades que acompanham a rotina da pescaria em uma Jerusalém multifacetada.

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