- O governo dos EUA divulgou um grande lote de emails e mensagens de Jeffrey Epstein, evidenciando ligações dele com a elite internacional em finanças, política, filantropia e academia.
- A trajetória de riqueza de Epstein inclui passagem pelo Dalton School, atuação na Bear Stearns, criação de uma empresa de gestão de patrimônio e vínculos com grandes investidores, além de acumular mais de 500 milhões de dólares, principalmente via comissões e relações privadas.
- A rede de apoio dele envolvia nomes de peso, como Rockefeller, Les Wexner e Leon Black, além de contatos com Bill Clinton, Donald Trump, Bill Gates e figuras de Harvard e MIT; ele também circulou entre o cenário de Davos e nomes de tecnologia.
- A controvérsia envolve uma evolução da exploração sexual, com suposta rede de tráfico a partir dos anos noventa e uso de códigos nas comunicações para negociar jovens; apesar da condenação, muitos permaneceram ligados a ele por reputação e poder.
- Analistas destacam que o comportamento de elites pode incluir traços de transgressão e deformação profissional, questionando por que figuras de alto nível continuaram a associar-se a Epstein mesmo após denúncias e condenações.
Jeffrey Epstein manteve uma relação frequente com o que se costuma chamar de elite global, conforme mensagens de e-mail e textos publicados pelo governo dos EUA. A vasta correspondência mostra vínculos com finanças, política, filantropia e academia, mesmo após sua condenação por crimes sexuais. O material reforça a ideia de que ele operava próximo a figuras de alto poder e influência.
A reportagem reproduz trechos da entrevista entre Cameron Abadi e Adam Tooze, economista e colunista da FP. Tooze descreve a trajetória de Epstein desde o início modesto até a construção de uma rede de patrocínio e gestão de recursos, apoiada por nomes e instituições da alta sociedade. Segundo ele, a riqueza se consolidou a partir de relações com grandes operadores do mercado privado.
Segundo o diagnóstico do entrevistado, Epstein iniciou como funcionário em uma escola de Nova York, migrou para Bear Stearns e criou uma empresa de gestão de patrimônio com forte suporte de executivos da corretora. A partir daí, o repasse de investimentos de clientes ricos e a filantropia ajudaram a ampliar seu poder financeiro.
A rede de contatos, conforme a matéria, incluiu famílias e empresários influentes, como proprietários de grandes marcas de consumo e líderes de universidades. Tooze aponta que, na virada dos anos 2000, Epstein já circulava entre círculos de Davos, com acesso a figuras poderosas do setor tecnológico e acadêmico.
Para entender o alcance da relação com o topo, o entrevistado cita figuras públicas e empresários de peso, destacando, por exemplo, patrocínios e ligações com agentes de riqueza privada e fundos de investimento. A argumentação indica que Epstein soube explorar suas conexões para ampliar ganhos e estabelecer uma posição de interlocutor entre elites.
No debate sobre o funcionamento de grupos de elite, Tooze descreve um ambiente que oscila entre transgressão e prestígio. A conversa menciona a presença de práticas de comportamento que, segundo a análise, reforçavam vínculos entre membros do grupo e a manutenção de privilégios. A entrevista também ressalta a persistência de contatos, mesmo após denúncias e condenações.
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