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Um momento que me mudou: raspei o cabelo e virei mulher invisível

Ao raspar o cabelo, a autora descobre como a aparência muda a forma de ser tratada, revelando privilégio temporário e invisibilidade social

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
‘What was the point of hair?’ … Anouchka and baby Dot in France, 2001.
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  • Em novembro de 2000, duas semanas após o parto, Anouchka Grose decide raspar a cabeça para economizar tempo e questionar o quanto a aparência importa.
  • O corte, feito rapidamente, a deixou com uma aparência agressiva em vez do estereótipo de mãe, gerando sensação de empoderamento momentânea.
  • Em cerca de quarenta e oito horas, ela percebeu que as pessoas passaram a ignorá-la ou a tratá-la como invisível, especialmente em espaços públicos.
  • A experiência mostrou como mudanças na aparência afetam o tratamento social de mulheres, com ajuda fácil quando com cabelo longo e menos visível quando sem ele.
  • O cabelo voltou a crescer, e Grose hoje tem cabelos brancos longos, refletindo sobre o tema em seu livro, com lançamento marcado para 10 de fevereiro pela Indigo Press.

Inici de 2000, Anouchka Grose, então recém mãe, decidiu cortar o cabelo em um corte liso e curto. Dois dias após o nascimento de Dot, ela pediu um buzz cut para ganhar tempo diário com os cuidados do bebê. A mudança gerou reações rápidas e distintas.

Grose vivia em Londres, com a filha Dot. Ao longo de semanas, passou a perceber que visitas a cafés, museus e espaços voltados a mães eram menos frequentes, e que a percepção sobre sua personalidade mudava conforme o visual. A experiência trouxe pontos de reflexão sobre atendimento e presença.

Em novembro de 2000, Grose ainda passou por momentos de isolamento. O corte tornou-se uma ferramenta para lidar com a rotina exaustiva de recém-nascidos, mas também alterou a forma como mulheres sem o típico ofício estético eram tratadas por estranhos no dia a dia.

A mudança de aparência gerou um efeito colateral: menos ajuda imediata de estranhos e uma sensação de invisibilidade em locais públicos, como ao descer uma escadaria de estação de metrô ou ao pedir um café. A autora descreve uma sensação de ghosting social.

Ao refletir, Grose observou que a conformidade com padrões de feminilidade influencia interações cotidianas. Enquanto o estilo anterior facilitava gestos de apoio, o visual mais áspero passou a produzir respostas frias ou desencorajadoras, mesmo sem qualquer mudança de comportamento.

Após o período de experiência, Grose retomou o visual habitual, com fios longos. A experiência, afirma, ofereceu uma visão sobre como a aparência pode moldar a tolerância social, a percepção de gentileza e a disposição de ajudar.

O relato integra o livro A Revolução Será Internalizada: sobre políticas da “preparação interior”, de Anouchka Grose, com lançamento previsto para 10 de fevereiro pela Indigo Press. O texto aborda como mudanças pessoais podem iluminar questões de identidade e normas sociais.

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