- As reservas de ouro do Banco Central da Venezuela caíram de 366 toneladas, em 2013, para 53 toneladas, com parte do metal exportada irregularmente para Turquia e outros países em troca de alimentos.
- O ouro era processado por empresas turcas ligadas ao grupo de Alex Saab e exportado via rede que incluía a empresa Mibiturven; parte do metal era usado para pagar fornecimentos de alimentos.
- Entre 2018 e 2019 surgiram denúncias de irregularidades e contratos entre o BCV e Turquia; mesmo assim, o ouro enviado não seria devolvido ao Venezuela, segundo investigações.
- Em 2020–2025, vários operadores e empresas ligadas ao caso foram alvo de investigações e prisões na Turquia; Saab foi removido do cargo de ministro e detido em Caracas, com desfechos legais em andamento.
- Fontes e documentos apontam que a rota do ouro venezuelano para Turquia e outros destinos foi desmantelada pela pressão internacional e por ações de autoridades de vários países, incluindo EUA, que monitoram o esquema.
Desde 2013, as reservas de ouro do BCV caíram de 366 para 53 toneladas, segundo o próprio banco. O ouro veio também do Arco Minero do Orinoco, com exportações alegadas como irregulares para Turquia e outros países.
Fontes próximas ao tema indicam que parte do metal foi enviado a Turquia em troca de alimentos, com registros também em Irã, Rússia e EAU. O fluxo ganhou notoriedade em meio a investigações e detenções de envolvidos.
A queda das reservas ocorreu apesar de atividades de extração no Arco Minero, que teriam produzido entre 35 e 80 toneladas anuais. O desencontro entre produção e registro sugere atividades fora do âmbito oficial.
A trajetória do ouro venezuelano
Em 2016, o governo abriu áreas do Orinoco para mineração, com o objetivo de usar o ouro como motor econômico. O ouro era processado por Mibiturven, em parceria com a Turquia, e trasladado ao BCV.
Segundo fontes, apenas cerca de 30% do metal refinado entrava no BCV; o restante seguia por rotas não oficiais. Alega-se a participação de empresários turcos e chineses em esquemas de exportação e de lavagem de dinheiro.
Entre 2018 e 2019, o Lahore de sanções acentuou o uso de canais alternativos para evitar bloqueios financeiros. Canais não oficiais teriam mantido o fluxo de ouro para Turquia e outros destinos, apesar de restrições internacionais.
O fluxo também incluiu remessas a Dubai e outras localidades, com o objetivo de pagar importações de alimentos para programas sociais. Estudos indicam que o ouro saiu em parte de forma irregular, sem registro adequado.
Quem está envolvido no lado turco
Alex Saab, empresário próximo ao governo venezuelano, apareceu como figura central nesse enredo. A empresa Marilyns, ligada a Saab, teria atuado como acionista de Mibiturven ao lado de familiares, segundo documentos turcos.
Mulberry Proje Yatirim, ligada a Saab, ficou responsável por importações de alimentos para o programa CLAP, com operações ligadas a Venezuela e a redes internacionais. Refino e remessas teriam passado por refinarias em Istambul e Çorum.
Investigações na Turquia, entre 2020 e 2025, envolveram IAR e outras referências ao esquema. Autoridades turcas investigam fraudes ao Estado, lavagem de dinheiro e exportações simuladas, ligadas a saídas de ouro venezuelano.
Desfecho recente e desdobramentos
Entre 2023 e 2024, Saab foi deposto de cargo e detido no caso venezuelano, com desdobramentos judiciais também para a esposa. Em 2024, a refinar IAR e outras empresas ligadas foram alvo de operações estatais turcas.
Em 2025, medidas de fiscalização voltaram a derrotar parte da rede turca associada ao comércio de ouro venezuelano. Pressões internacionais ampliaram o escrutínio sobre fluxos de ouro e transações ligadas a Saab e aliados.
Autoridades ressaltam que, pese às detenções, o volume exato de ouro traficado é difícil de quantificar devido à opacidade das operações. Observadores apontam que a coordenação entre governos complicou a apuração.
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