- Equipe da Bat Conservation International monta redes perto das Cavernas Three Sisters, em Kwale, ao entardecer para capturar morcegos e medir tamanho corporal, peso, envergadura e sexo, além de coletar amostras de tecido.
- Os morcegos são colocados em sacos de algodão, avaliados e fotografados antes de serem soltos, com a equipe atuando até a noite para verificar presença de doenças.
- São usados dispositivos de gravação de áudio próximos às entradas das cavernas para identificar espécies por chamadas, e o guano é analisado para entender dieta e papel ecológico.
- Planos futuros incluem prender mini rastreadores (GPS) para entender os trajetos de forrageamento e se as jornadas vão além das cavernas; proteger cavernas e habitats ao redor é enfatizado.
- A organização comunitária local, liderada por Salim Rimo, coordena visitas, regras de acesso e coleta segura de guano, além de projetos de reflorestamento e educação para valorizar a importância dos morcegos.
As a noite avança nas Cavernas Three Sisters, no distrito de Kwale, no Quênia. A equipe liderada por David Wechuli monta redes quase invisíveis nas encostas da floresta costeira. Ao anoitecer, os morcegos começam a emergir, e as redes ajudam a captura para medição.
Os animais são colocados em sacos de algodão para respirar e evitar fugas nas próximas horas. A equipe da Bat Conservation International (BCI) realiza medições morfométricas, identifica o sexo e coleta amostras de tecido para detectar doenças, antes de fotografar e liberar os morcegos.
Antes da captura, os pesquisadores inspecionam o local pela tarde, atravessando a caverna escura, com milhares de morcegos agarrados ao teto e às paredes. Algumas cavernas são túneis de mais de 100 metros, diz Wechuli, ressaltando a necessidade de conhecer o terreno.
O que se estuda nos morcegos
A investigação visa entender como as espécies vivem, o papel deles nos ecossistemas e como atividades humanas alteram seus habitats. A pesquisa foca nas cavernas costeiras da região Shimoni, em Kwale, e em sistemas de cavernas vulcânicas no Mount Suswa Conservancy, a cerca de 600 km a noroeste.
Sons que os olhos não veem
Além das capturas, o grupo instala dispositivos de gravação de áudio próximos às entradas das cavernas. Cada espécie emite chamadas em frequências distintas, o que permite identificar quando e quais animais estão ativos, especialmente no forrageio.
O que é encontrado nos excrementos
Os guanos ajudam a entender a alimentação das espécies. Análises mostram se os morcegos comem insetos, frutos ou pólen, revelando seus papéis ecológicos. Insetívoros ajudam a reduzir pragas, enquanto frugívoros disseminam sementes.
Uso sustentável do guano e monitoramento
Em algumas comunidades, o guano é recolhido como fertilizante. O cheiro forte do material seco se mistura ao ambiente de caverna. Pesquisadores planejam acoplar rastreadores GPS para mapear trajetos de forrageamento.
Proteção de cavernas e habitats
O professor Paul Webala, da Maasai Mara University, afirma que a proteção das cavernas é essencial para a sobrevivência das espécies. A BCI ajuda comunidades com diretrizes para reduzir impactos, como limitar o número de visitantes, e reforça a proteção das florestas vizinhas.
Conservação comunitária nas Cavernas Three Sisters
Salim Rimo, presidente da Tswaka Three Giant Sister Caves Community-Based Organisation, coordena atividades de conservação e visitação. Guias explicam as espécies que habitam as cavernas, a fauna associada e o histórico humano do local.
Transformação de atitudes
Diversas espécies enfrentam riscos diferentes. Enquanto algumas, como morcegos-frugívoros, mostram maior adaptabilidade, outras são sensíveis a distúrbios humanos. Proteções de acesso, restauração florestal e corredores ecológicos ajudam a manter as populações.
Impacto da pesquisa e educação
Wechuli afirma que a pesquisa é essencial, mas o reconhecimento público é igualmente importante. Campanhas de educação ajudam a reduzir a percepção negativa sobre os morcegos, mostrando seu papel no controle de pragas e na regeneração de florestas.
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