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Suor de turistas desbota pinturas do teto da Capela Sistina na restauração

Capela Sistina passa por restauração do Juízo Final para remover depósito de sal causado pelo suor de visitantes; andaime de sete níveis e intervenções futuras previstas

Fotografia do Paolo Violini, restaurador-chefe do Laboratório de Restauração de Pinturas e Materiais de Madeira dos Museus Vaticanos.
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  • A Capela Sistina, no Vaticano, passa por restauração da pintura O Juízo Final, de Michelangelo, para remover uma película branco que se formou pela transpiração e respiração dos visitantes.
  • A intervenção começou em primeiro de fevereiro, com um grande andaime cobrindo a obra, e deve durar aproximadamente três meses com limpeza gradual.
  • O método usa papel japonês chamado papel washi, aplicado sobre o afresco, com água desmineralizada para dissolver os cristais de sal depositados pela umidade e pelo suor.
  • O Juízo Final, com cerca de cento e oitenta metros quadrados, ocupa a parede atrás do altar e representa a Segunda Vinda de Cristo, com 391 figuras.
  • A equipe envolve cerca de trinta profissionais, trabalha em sete níveis de altura a cerca de vinte metros do chão e a capela permanece aberta ao público durante a restauração.

A Capela Sistina, no Vaticano, passa por uma restauração da pintura O Juízo Final, de Michelangelo. A intervenção visa reverter danos causados pela preservação, pela sujeira e pela umidade acumuladas ao longo dos séculos. A obra volta a receber tratamento após cerca de 30 anos.

A intervenção começou em 1º de fevereiro, com a montagem de um andaime que cobre toda a superfície. Restauradores dos Museus do Vaticano trabalham por aproximadamente três meses para remover depósitos acumulados sobre o afresco.

O Juízo Final, concluído em 1541, ocupa cerca de 180 m² da parede atrás do altar. A cena retrata a Segunda Vinda de Cristo, com 391 personagens distribuídos entre salvação e condenação, num painel que permanece centro de visitas diárias.

O que motivou a restauração

Ao longo dos séculos, o mural ficou exposto a fatores ambientais e à alta circulação de visitantes. O fluxo diário de cerca de 24 mil pessoas favorece alterações na superfície, mesmo com medidas de controle de acesso.

O suor humano, com ácido lático, reage com o carbonato de cálcio do reboco, formando lactato de cálcio que se deposita na pintura. Esse véu branco reduz o brilho das cores e o contraste da cena.

A configuração da parede, levemente inclinada para fora, contribui para o acúmulo de vapor proveniente das visitas, acelerando a deposição das partículas na superfície do afresco.

Como é feita a limpeza

A restauração foca na remoção da película de sal formada pela reação química. Utiliza-se papel japonês, o papel washi, com fibras vegetais altamente absorventes.

O método envolve aplicar o papel sobre a pintura e passar água desmineralizada com pincel. A água dissolve os cristais de sal, que ficam presos ao papel ao ser removido.

A operação requer cuidado extremo: cada área do mural é tratada lentamente, figura por figura. Cerca de 30 profissionais participam, entre restauradores, cientistas e técnicos.

O trabalho ocorre a partir de um sistema de andaimes que alcança sete níveis, cerca de 20 metros de altura. A visão detalhada permite detectar nuances técnicas de Michelangelo que não são visíveis do chão.

Mesmo com os cuidados, a equipe admite que o problema pode retornar. O Vaticano informou que intervenções similares devem ocorrer periodicamente diante do fluxo de visitantes.

Perspectivas e uso público

Especialistas destacam o desafio de equilibrar conservação e acesso público. A capela continua aberta durante a restauração, com a obra protegida por uma tela que reproduz a imagem em alta definição.

A restauração reforça o objetivo de preservar o patrimônio mundial sem interromper cerimônias religiosas nem o funcionamento do espaço, que também recebe eventos institucionais.

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