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Cientistas registram macaco-prego sem pigmentação em Ubajara

Leucismo em macaco-prego no Ubajara sugere perda de variabilidade genética e fragmentação, elevando a necessidade de monitoramento

Fotografia de um apajus libidinosus, também chamado de macaco-prego barbado ou capuchinho, foi registrado por pesquisadores brasileiros no Parque Nacional de Ubajara, no Ceará.
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  • Cientistas registraram o leucismo em Sapajus libidinosus, com um filhote de aproximadamente três meses apelidado de “Fantasma” no Parque Nacional de Ubajara, no Ceará.
  • O macaco leucístico apresenta manchas brancas na pelagem, sinal de perda parcial de melanina, mantendo os olhos escuros.
  • O Fantasma foi observado duas vezes, com intervalo de trinta dias, mantinha comportamento normal e estava integrado ao grupo.
  • Pesquisadores consideram duas hipóteses: mutação genética ou influência ambiental, mas descartam, por ora, poluição ou alimentação como causa única.
  • A descoberta levou à revisão de dados antigos, identificando um macho adulto com mancha branca similar (Jenipapo), o que levanta questões sobre endogamia e conservação da população.

O registro aconteceu no Parque Nacional de Ubajara, no Ceará, onde pesquisadores brasileiros documentaram pela primeira vez o leucismo em Sapajus libidinosus, o macaco-prego. O filhote, de cerca de três meses, apresenta manchas brancas na pelagem, diferente do padrão habitual, com olhos intactos.

O animal foi avistado duas vezes, com intervalo de 30 dias. Mantinha comportamento típico de filhote: era carregado pela mãe, explorava o ambiente e integrava-se ao bando sem sinais de rejeição. A ocorrência ocorreu dentro da unidade de conservação gerida pelo ICMBio.

O Fantasma, como é chamado pelos cientistas, vive em Ubajara, uma área de 6.300 hectares com florestas, cavernas e áreas de transição para o semiárido. A equipe investiga se fatores ambientais, como poluição ou alterações na alimentação, poderiam influenciar o leucismo, mas considera a possibilidade de uma mutação genética.

Possíveis causas e dados da população

Uma hipótese inicial aponta para uma mutação genética rara, possivelmente amplificada por baixa diversidade genética em uma população fragmentada. Também é discutida a possibilidade de fatores ambientais, embora não haja evidência de disseminação ampla de leucismo no grupo.

Entre as possibilidades, a equipe considerou a ideia de que uma mutação pode ter surgido de forma nova no indivíduo observado. A presença de outro macaco com padrão de pelagem diferente, o Jenipapo, em registros de bancos de dados antigos, reforça a curiosidade sobre a origem da característica, mas não estabelece relação de parentalidade com o filhote.

Implicações para a conservação e comportamento

A descoberta aponta para a necessidade de monitoramento de longo prazo da população do Ubajara, para entender se o leucismo tende a se disseminar ou a permanecer isolado. A observação também levanta questões sobre o uso de ferramentas e comportamentos de escrita cultural dos macacos-prego da região.

Caso a hipótese genética se confirme, o leucismo pode indicar endogamia em uma população com fluxo gênico reduzido. Esse quadro envolve riscos para a preservação de traços comportamentais importantes, como o uso de ferramentas e técnicas de obtenção de alimento transmitidas entre gerações.

Sobre o estudo e próximos passos

O artigo First observation of a leucistic bearded capuchin monkey foi publicado na revista Primates. A equipe planeja ampliar o acompanhamento com gravação de vídeos, coleta de dados genéticos e comparação com outras populações de Sapajus libidinosus.

Mais informações são compartilhadas pela NeoPReGo, grupo de pesquisa ligado à Universidade de São Paulo e ao Max Planck. O estudo reforça a importância de conservar a diversidade genética e ecológica das populações de primatas no Brasil.

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