- Em Sumatra, um caçador usa facão, cola pegajosa e uma gravação de canto para procurar murai batu, o pardal-que-imita canto conhecido localmente como murai batu.
- A popularidade do murai batu cresceu na última década por seu canto complexo e pela aparência, alimentando um circuito de competição com prêmios elevados, incluindo carros e grandes somas em dinheiro.
- A espécie é amplamente distribuída entre a Índia e a Papua-Nova Guiné, mas, na Indonésia, está em declínio, com subespécies já extintas e florestas de Java supostamente quase sem exemplares.
- Até 2018 o murai batu era protegido por lei na Indonésia; o status foi retirado após pressão de associações de criadores, o que complicou a fiscalização diante da caça e da perda de habitat.
- Poceiros como Peni disseram que a caça já foi uma fonte de sustento quando as safras falharam; hoje as florestas estão mais silenciosas.
O guia de caça de murai batu, o pássaro-canoro mais cobiçado da Indonésia, ganhou um foco ainda mais sensível: a espécie está sumindo das florestas de Sumatra. Um caçador, identificado apenas como Peni, usa facão, cola e gravações de canto para localizar a ave selvagem, com o objetivo de capturá-la para o mercado ilegal. O caso mostra como tradição, sobrevivência e conservação se cruzam na vida de uma espécie pressionada.
O murai batu (Copsychus malabaricus) é alvo de uma indústria de criação em cativeiro impulsionada por competições que premiam com carros e grandes somas em dinheiro. A ave é nativa da região indiana até Papua-NovaGuiné, mas seu estado em Indonesia é crítico, com populações encolhendo e algumas subespécies já extintas no arquipélago.
Até 2018, a espécie era protegida por lei na Indonésia, mas a proteção foi retirada após pressão de associações de criadores. Críticos apontam que a mudança tornou a fiscalização mais vulnerável a crimes de poaching, sobretudo em áreas onde o habitat natural vem sendo desmatado.
Para caçadores como Peni, a captura de murai batu já foi uma fonte de renda, especialmente em períodos de escassez de safras. Hoje, as florestas parecem mais silenciosas, com menos pássaros visíveis no entorno das áreas rurais e seringais onde atuava o tráfico.
Desafios de conservação
Profissionais de conservação alertam para o risco de extinção local de subespécies na Indonésia. A pressão de caça, aliada à perda de habitat, agrava a vulnerabilidade do murai batu, que depende de florestas preservadas para se alimentar e se reproduzir.
Contexto cultural e mercado ilegal
A tradição de manter aves em cativeiro, especialmente em Java, tornou-se um símbolo de status e uma prática com forte componente econômico. Com a redução de populações selvagens, o comércio ilícito ganha ainda mais força em outras ilhas do país.
Fontes: organizações de conservação e reportagens investigativas destacam que a vigilância ambiental precisa de reforços, com políticas claras que equilibrem preservação e tradições locais. A reportagem reforça a necessidade de monitoramento contínuo das populações de murai batu e de medidas para coibir a captura ilegal.
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