- Pesquisadores criam o PEPP Framework (Prepare, Engage, Prevent e Protect) para orientar o uso de IA e aprendizado de máquina na decodificação da comunicação animal.
- Programas More than Human Life (MOTH) e Cetacean Translation Initiative (CETI) alertam que pesquisa mal regulamentada pode causar sofrimento aos animais, até em atividades rotineiras de gravação.
- Em um caso documentado, uma chamada gravada de elefante falecido causou grande estresse à família de elefantes que a ouviu.
- Pesquisas sobre comunicação animal já contribuíram com conservação, como a descoberta de que baleias-jubarte cantam para se comunicar e ganham proteções legais.
- Há riscos de uso indevido da tecnologia, como em turismo ou programas militares; os autores defendem uso da IA em benefício dos animais e a adoção é voluntária, com potencial para se tornar norma internacional.
Researchers deram andamento a um novo conjunto de regras éticas para guiar pesquisas que utilizam inteligência artificial e aprendizado de máquina na decodificação da comunicação animal. O objetivo é padronizar práticas responsáveis em estudos conduzidos pelo programa More than Human Life (MOTH) da New York University e pela Cetacean Translation Initiative (CETI).
As diretrizes, propostas sob o nome PEPP Framework — Prepare, Engage, Prevent e Protect — apresentam princípios para o estudo da comunicação animal de forma ética. Organizações científicas alertam que pesquisas mal regulamentadas podem causar sofrimento aos animais.
Em um caso documentado, estudos com comunicação de elefantes incluíram a reprodução de um chamado de um indivíduo falecido, provocando estresse entre as famílias e reação de busca pela figura ausente. O episódio ilustra riscos potenciais de técnicas de gravação e reprodução.
A relação entre bioacústica, IA e conservação já apresenta impactos positivos. Entre os avanços, a descoberta de que baleias-jubarte utilizam canções para comunicação ajudou a embasar proteções legais ao longo dos anos 1970.
Em relatório separado, membros da equipe de MOTH e CETI convidam a imaginar cenários em que a decifração dos sistemas de comunicação animal será bem-sucedida. Pesquisas recentes mostraram que diversas espécies possuem sistemas de comunicação sofisticados.
Os autores destacam riscos potenciais, como uso da tecnologia por setores de turismo ou por programas militares para manipular animais. A sinalização de distúrbios, por exemplo, poderia embasar políticas de proteção ambiental mais fortes.
Os especialistas defendem que a IA deve ser empregada no interesse dos animais. Se for possível compreender chamados de estresse, como o ruído de navegação que afeta cetáceos, essas informações poderiam fortalecer proteções adicionais.
A adoção do PEPP Framework é voluntária, mas os autores ressaltam que muitos padrões de direitos humanos e indígenas começaram assim, sem força regulatória inicial, evoluindo para normas internacionais. A ideia é tornar diretrizes formais viáveis e aplicáveis.
Segundo David Gruber, um dos responsáveis, o consenso sobre padrões comuns hoje facilita a futura implementação de normas internacionais. O texto completo está disponível em estudo coletivo vinculado às equipes MOTH e CETI.
O que é o PEPP Framework
Prepare, Engage, Prevent e Protect guiam desde a preparação metodológica até a proteção dos interesses dos animais. A estrutura busca equilibrar avanços tecnológicos com salvaguardas éticas rigorosas.
Riscos e aplicações futuras
O documento enfatiza potenciais usos questionáveis da IA na pesquisa e na gestão animal. Ao mesmo tempo, aponta caminhos para que dados possam subsidiar medidas de proteção mais efetivas.
Caminho para normatização
Os autores defendem que normas voluntárias podem evoluir para diretrizes internacionais obrigatórias. A validação de padrões compartilhados dependerá de consenso entre comunidades científicas, governos e povos tradicionais.
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