- O Development Experience Clearinghouse, banco de dados da USAID com 60 anos de avaliações de mais de 150 mil projetos, foi encerrado para acesso público pelo governo dos EUA; antes disso, Lindsey Moore usou IA para ler e salvar lições, incluindo conteúdos sobre conservação.
- A DevelopMetrics utiliza modelos de linguagem para entender não apenas esse acervo, mas também outros bancos públicos, preservando o conhecimento de projetos de desenvolvimento, meio ambiente, economia e sociedade.
- Cinco lições-chave identificadas: levar a implementação mais perto das famílias, mudar a prática mediante prática real, projetar para escala com participação e propriedade locais, co-criação em vez de simples consulta, e fortalecer a camada intermediária que opera no dia a dia.
- A pesquisa aponta que desafios não eram apenas técnicos, mas institucionais e organizacionais, especialmente a necessidade de engajamento comunitário e transferência de poder para quem vive os impactos.
- A empresa é bootstrapped e busca parcerias; há interesse em ampliar impactos com ONGs e organizações internacionais, incluindo WWF, além de considerar uma ala sem fins lucrativos para preservar dados e promover uso responsável da IA na conservação.
A crise de acesso a um vasto acervo de avaliações de projetos da USAID acabou revelando um conjunto de lições sobre conservação que pode orientar futuras ações. O banco de dados Development Experience Clearinghouse, que reuniu avaliações de cerca de 150 mil projetos ao longo de seis décadas, ficou indisponível após o encerramento do acesso público pelo governo.
Antes da indisponibilidade, Lindsey Moore, ex-funcionária da USAID e pesquisadora de IA, usou um modelo de linguagem de grande escala para ler todo o acervo. O objetivo foi extrair lições críticas sobre desenvolvimento, meio ambiente, economia e sociedade, com foco também em projetos de conservação. A iniciativa continua a ganhar atenção na imprensa especializada.
Moore fundou a DevelopMetrics, que desenvolveu um modelo capaz de compreender não apenas o conteúdo da base da USAID, mas também outras fontes públicas em risco de perda. A empresa afirma que muitos problemas em projetos de conservação são institucionais, não técnicos, e decorrem da falta de engajamento local com as comunidades.
Lições em foco
Ao analisar os dados, foram identificadas cinco lições recorrentes ao longo de 60 anos, com padrões que atravessaram países e setores. O material destaca que as soluções costumam exigir mudanças na forma de organização e governança, além de envolver as comunidades locais de maneira mais direta.
A primeira lição, trazer a entrega para perto das famílias, aponta que decisões e acompanhamentos devem ocorrer onde vivem os cidadãos, não apenas em gabinetes distantes. A prática, segundo Moore, é desafiadora pela necessidade de orçamento e estrutura administrativa.
A segunda lição, transformar prática em mudança real, enfatiza que resultados aparecem quando habilidades são exercitadas no mundo real, com feedback entre pares, em vez de simples treinamentos teóricos.
A terceira, desenhar para escalar e não apenas para pilotos, recomenda planos de continuidade após testes. Sem transferência de ownership para a comunidade, o impacto tende a se dissipar após a conclusão do piloto.
A quarta lição, co-criação em vez de consultoria, aponta que projetos têm maior vida útil quando quem executa compartilha poder real na gestão, tarifas e monitoramento.
A quinta, fortalecer a camada intermediária, ressalta o papel de docentes, profissionais locais e líderes comunitários na implementação diária, conectando ações locais a mudanças em nível político.
Aplicação e próximos passos
Os organizadores destacam que o acervo de dados é essencial para orientar organizações de conservação. Integrar bases próprias com dados históricos pode reproduzir menos erros do passado, desde que haja um mapa conceitual claro do que cada intervenção envolve.
Moore comenta que é possível adaptar o uso de IA às necessidades de cada instituição, respeitando limitações energéticas. A abordagem proposta prioriza grafos de conhecimento e extrai apenas os trechos relevantes, reduzindo o consumo de energia.
A DevelopMetrics já atua com agências da ONU e ONGs, incluindo a WWF. A empresa busca apoiar uma transição para estruturas mais duráveis e com maior participação local, mantendo foco em resultados verificáveis.
Moore também afirma que o futuro da conservação passa pela preservação de bases de dados perdidas ou ameaçadas, para evitar perdas de aprendizados valiosos. A empresa mantém uma atuação voltada a modelos abertos e à construção de um ecossistema de dados confiável.
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