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Tocas de roedores abrigam o menor felino da África

Felinos-africanos dependem de tocas cavadas por springhares, abrigo que diminui predção e mostra vulnerabilidade da espécie diante de práticas humanas

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Black-footed cats (Felis nigripes) in southern Namibia. Image courtesy of Alex Sliwa
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  • O gato-de-pêlo-preto (Felis nigripes) é pequeno, noturno e usa tocas para descansar e criar filhotes, especialmente durante o dia.
  • Nova pesquisa mostrou que as fêmeas dependem fortemente de tocas escavadas por springhares, roedores que vivem na região da Namíbia Meridional.
  • Durante o estudo de 138 dias, as oito fêmeas com collars trocaram, em média, de 12 tocas, ficando cerca de dois dias em cada uma; antes dos seis semanas dos filhotes, eram mais estáveis, depois frequentavam quase diariamente novas tocas.
  • A maior parte do uso das tocas ocorre para reduzir predadores, como chacais e caracais, principalmente quando os filhotes começam a sair.
  • O território do gato é dinâmico (Namíbia, Botsuana e África do Sul), com população estimada em cerca de 10 mil indivíduos, e a proteção depende tanto de preservação do habitat quanto de convivência com os fazendeiros locais.

Um estudo recente revela que o felino africano mais raro depende fortemente de tocas cavadas por um roedor grande, o springhare, para criar suas crias no ambiente semiárido do sul da Namíbia.

O guia de pesquisa, liderado por Harold Brindley, da University of Cape Town, acompanhou cinco femeas com colares de rádio e avaliou mais de 50 tocas usando tecnologia lidar. O enfoque foi a atividade diurna das gatos pretos e seus abrigos.

Durante 138 dias, as fêmeas utilizaram, em média, 12 abrigos diferentes, passando dois dias em cada toca. Antes das crias atingirem seis semanas, elas ficavam cerca de seis dias no mesmo covil; após esse período, mudavam quase diariamente.

A principal descoberta é que as fêmeas recorrem a tocas de springhares para proteger as crias. Os roedores escavam e abandonam tocas com frequência, oferecendo uma rede constante de refúgios que regula temperaturas e reduz predadores.

Brindley destaca que as mães escolhem a toca mais próxima ao amanhecer, evitando longos deslocamentos e sinais de outros felinos. A estratégia reduz a exposição de filhotes a chacais, caracais e outras ameaças, variando conforme a densidade de predadores locais.

O estudo aponta ainda que, embora outras espécies também utilizem tocas — como now aardvarks e g undingos — apenas os gatos machos exploram tocas de terceiros. A dependência de springhares não elimina riscos, pois a espécie tem baixa taxa reprodutiva: no máximo dois filhotes por fêmea por ano.

A população de Felis nigripes é estimada em cerca de 10 mil indivíduos, e enfrenta ameaças como doenças renais, perda de hábitat e colisões com autoridades locais. O trabalho reforça que a proteção envolve cooperação com proprietários rurais e manejo do uso da terra.

Sobre a convivência com humanos

A proteção do felino depende tanto de parcerias com fazendeiros quanto de pesquisa. Práticas como caça ou envenenamento para proteger o gado podem matar felinos acidentalmente, e o sobrepasteamento diminui as tocas disponíveis.

A conservação também exige reduzir fragmentação de habitat, mantendo populações conectadas e resilientes diante de variações climáticas e disponibilidade de presas.

Sliwa ressalta que muitos produtores não veem o impacto direto do felino na economia local, o que dificulta mudanças de práticas. Mesmo assim, especialistas enfatizam que a conservação depende de educação e de ações concretas no manejo do campo.

A pesquisadora Martina Küsters reforça a mensagem aos proprietários: se encontrarem o felino, apreciem sua singularidade. A espécie, pequena e inquieta, é apresentada como exemplo de biodiversidade única no continente.

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