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Financiamento da biodiversidade: Lisa Miller discute investir na natureza

Wedgetail Foundation aplica financiamento misto para conservar biodiversidade na Tasmânia, combinando doações, empréstimos e gestão de propriedades para restauração

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Forester kangaroos at The Quoin. Photo credit Doug Gimesy
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  • Lisa Miller, influenciada desde criança pela vida selvagem, criou a Wedgetail Foundation, fundação de conservação que usa capital blended (filantrópico, empréstimos, investimentos e gestão de terras) para proteger a biodiversidade.
  • A fundação possui cerca de 8.000 hectares em Tasmanía, chamados de propriedades farol, usadas para conservação, restauração e aprendizado, com corredores de habitat e reintrodução de espécies.
  • O modelo integra doações com empréstimos e participações, além de operações diretas em paisagens para entender custos, equipes e recursos necessários, buscando retorno financeiro e de natureza.
  • Miller afirma que a crise de biodiversidade é global, mas precisa de soluções locais, destacando lacunas de financiamento, subutilização de capital e necessidade de medir biodiversidade para investimentos.
  • Entre lições e caminhos, destacam-se a importância de equipes fortes, comunicação transparente, alianças com pesquisadores e políticas públicas (como ganhos de biodiversidade e reorganização de subsídios) para atrair capital.

O financiamento da biodiversidade ganha destaque com Lisa Miller, que transformou sua paixão por animais em uma abordagem de investimento misto. A obra de Wedgetail Foundation surgiu na Austrália para proteger ecossistemas e testar modelos de financiamento de conservação.

Miller começou na Austrália, estudou zoologia e atuou no Australian Museum, onde conectou ciência e comunicação. Ao longo de 18 anos no setor tecnológico, acompanhou o crescimento de Canva ao lado de Cameron Adams, abrindo portas para soluções duráveis no terceiro setor.

A virada ocorreu em 2019, quando as mudanças climáticas fermentaram com a perda de biodiversidade e os incêndios de bush na Austrália. Daí nasceu a Wedgetail Foundation, que combina filantropia, empréstimos e investimentos em capital próprio para conservar paisagens, como em Tasmanía.

O que é a Wedgetail e como funciona

A Fundação adota um modelo de capital misto, incluindo empréstimos NatureLink, investimentos seletivos e gestão direta de terras de conservação. Em Tasmanía, a organização controla milhares de hectares, chamados de propriedades faróis, para restauração, ensino e pesquisa de longo prazo.

O foco é entender o que realmente custa conservar, levando em conta estações, logística e a vida cotidiana das comunidades locais. A restauração progride no ritmo dos ecossistemas, não dos ciclos de financiamento.

O que a prática mostra

Trabalhar no terreno revela que a preservação depende de equipes, parceiros e presença contínua. A ciência encontra disponibilidade para pesquisa de longo prazo, com exemplos como a translocação de quolls orientais com apoio da Universidade de Tasmanía.

Miller afirma que a economia precisa reconhecer a natureza nos balanços e não tratá-la como variável externa. A fundação já utiliza concessões, empréstimos e propriedades-âncora para demonstrar retorno social e ambiental.

Desafios e aprendizados

Entre os aprendizados, destaca-se o ritmo da natureza e a necessidade de empatia com comunidades, proprietários tradicionais e infraestrutura local. Planejar investimentos exige entender custos de manutenção e prioridades de gestão em paisagens complexas.

Ela aponta lacunas de financiamento: a queda de investimentos em tecnologia ligada à natureza, a necessidade de melhor mensuração da biodiversidade e a maior integração entre capital filantrópico e privado. O desafio é tornar a natureza visível para o capital.

Perspectivas e impactos

A ideia é reduzir as barreiras entre investimento e filantropia, ampliando a visão de que conservar biodiversidade gera retornos em paisagens, comunidades e economia. O trabalho em áreas remotas, com cooperação acadêmica, sustenta esse movimento.

Miller defende que o modelo de negócios não precisa ser apenas de grande escala; replicabilidade local pode ser suficiente para ampliar impactos. O objetivo é sustentar atividades de conservação por meio de decisões de longo prazo.

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