- Quase metade das 270 espécies de tubarões e raias no Oceano Índico Ocidental está ameaçada de extinção (46%).
- Foram mapeadas 125 Áreas Importantes para Tubarões e Raias (ISRAs), abrangendo 2,8 milhões de km² na região.
- Apenas 7,1% das ISRAs se sobrepõem a áreas marinhas protegidas; e apenas 1,2% ficam em zonas de proteção total, sem pesca.
- As ISRAs vão desde as águas superficiais até cerca de 2.000 metros de profundidade, com tamanhos que variam bastante.
- Pesquisadores destacam a necessidade de gestão local integrada e de ampliar proteções ecológicas para as espécies, não apenas aumentar o número de áreas protegidas.
O estudo do Shark Specialist Group da IUCN aponta uma crise de extinção para tubarões e raias no Oeste do Oceano Índico. Foram mapeadas 125 Áreas Importantes para Tubarões e Raias (ISRAs), cobrindo 2,8 milhões de km², entre a África do Sul e o subcontinente indiano, incluindo Seychelles e Maldivas. A pesquisa revela que menos de uma fração dessas áreas está protegida.
A instituição lembra que 46% das 270 espécies conhecidas da região estão ameaçadas de extinção. Entre os fatores citados estão a pesca intensiva, o uso de artes de pesca destrutivas e a aplicação inadequada de políticas ambientais. O estudo destacou ainda a dependência local de recursos marinhos para alimentação e renda.
Quem conduz o levantamento afirma que apenas 7,1% das ISRAs se sobrepõem a áreas marinhas protegidas e apenas 1,2% estão em zonas de proteção total, sem pesca. A definição de ISRA envolve ocorrência regular de tubarões e raias, residentes ou visitantes sazonais, em áreas específicas ao longo do ciclo de vida.
As áreas variam amplamente em tamanho, do diminuto Maroshi Thila, Maldivas, a 0,03 km², ao Western Agulhas Front, com 1,45 milhão de km², fora de jurisdição nacional. O Oeste do Oceano Índico representa 8% da superfície oceânica mundial e abriga espécies únicas, mas também enfrenta pressão de exploração intensa.
A pesquisa ressalta que, além de áreas protegidas, é necessária gestão local com estratégias diversas para conciliar conservação e meios de subsistência da pesca. O estudo utiliza dados governamentais, registros pesqueiros e ciência cidadã para mapear espécies pouco observadas ou não registradas anteriormente.
Desafios aparecem na disponibilidade de dados sobre tubarões e raias e na representatividade de espécies de águas profundas frente às de águas rasas. Dentre as recomendações, está a priorização de espécies e habitats em políticas de conservação, bem como a consideração de outras medidas fora de zonas protegidas.
Desafios para a proteção de habitats
A avaliação aponta que, para alcançar metas globais de proteção de 30% dos oceanos até 2030, é crucial associar áreas protegidas a uma gestão pesqueira eficaz em regiões adjacentes. A atualização de áreas protegidas deve considerar a ecologia dos ISRAs para gerar benefícios reais.
Os autores destacam que aumentar o número de MPAs sem planejamento estratégico não basta. Medidas complementares, como restrições a artes de pesca específicas, fechamentos sazonais e zones de desaceleração, podem ser necessárias para espécies vulneráveis.
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