- O governo do Reino Unido quer abrir quase 99% da zona marinha protegida de Chagos para pesca sustentável, mantendo área perto da base de Diego Garcia proibida.
- A medida faz parte de um acordo para devolver as Ilhas Chagos a Maurícia, e visa permitir que os chagossonianos voltem a pescar, retomando parte de seu sustento tradicional.
- Cientistas e organizações de conservação alertam que a área abriga ecossistemas ricos, com uma das águas mais limpas do mundo, 800 espécies de peixes e mais de 50 tipos de tubarões.
- Críticos, incluindo especialistas e parlamentares britânicos, temem falhas na fiscalização e defendem que a área permaneça sem pesca para proteger a vida marinha.
- Autoridades britânicas e mauricianas dizem que a proteção continua, com foco em combate à pesca ilegal, e que as negociações buscam equilibrar conservação e necessidades das comunidades locais.
Conservacionistas se opõem a proposta de permitir pesca ao redor do arquipélago de Chagos, no âmbito de um acordo que prevê a devolução das ilhas à Maurícia. A iniciativa abre parte da Zona de Proteção Marinha (MPA) para atividades de pesca não comercial, sob supervisão britânica e de Maurícia. A mudança visa facilitar o retorno da comunidade chagossiana, historicamente dependente da pesca.
A área protegida, criada em 2010, chegou a ser uma das maiores zonas sem pesca do mundo, cobrindo aproximadamente 247 mil milhas quadradas. Dados oficiais indicam águas limpas, recifes saudáveis e alta biodiversidade, com mais de 800 espécies de peixes e 76 espécies listadas pela IUCN como ameaçadas.
O governo britânico informou que grande parte da MPA ficará aberta a atividades de pesca sustentável, enquanto a área próxima à base de Diego Garcia permanecerá proibida para pesca. A medida é apresentada como parte de um acordo de devolução do território à Maurícia.
A comunidade chagossiana vê a mudança como essencial para o retorno à região, já que a pesca é parte histórica de sua subsistência. Grupos de defesa afirmam que manter a prática pode sustentar a reocupação cultural das ilhas, desde que regulamentos sejam eficazes.
Representantes de organizações como Chagossian Voices destacam a importância de preservar a cultura e a relação tradicional com o mar. Eles ressaltam que a pesca artesanal deve ser legal e regulamentada, para não comprometer o ecossistema.
Especialistas em conservação divergem sobre o tema. Alguns defendem manter a área como no‑take, para preservar a produção de espécies migratórias e a saúde do ecossistema marinho. Outros apontam a necessidade de medidas que conciliem vida selvagem e uso humano.
Profissionais de pesquisa enfatizam que a Maurícia já se comprometeu a proteger o MPA e evitar pesca comercial, mesmo com o retorno. Ainda assim, há dúvidas sobre a capacidade de fiscalização após a transferência do território.
O Ministério das Relações Exteriores britânico afirmou que a proteção ambiental continua como prioridade, com esforços para combater a pesca ilegal. A posição foi compartilhada pela parte Maurícia, que aguarda comentários oficiais sobre a implementação.
Fontes consultadas destacam a importância de acordos legais fortes para evitar abusos e assegurar o cumprimento das regras. O tema segue sob análise, com debates sobre como equilibrar retomada cultural e proteção ambiental.
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