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Cães-selvagens africanos quebram regra entre carnívoros no Botsuana

Cães-das-planícies africanos, até então carnívoros, comem jackalberries no Okavango Delta, sugerindo adaptabilidade alimentar com consequências para a conservação

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Wild dog pups in Zimbabwe. Image courtesy of ZSL/Rosemary Groom.
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  • Pela primeira vez, cães selvagens africanos foram registrados comendo frutas, em especial jackalberries, na região do Delta do Okavango, no Botsuana.
  • Em julho a agosto de 2022, todos os 11 adultos de uma alcateia foram observados comendo jackalberries diariamente, estudo publicado na Canid Biology & Conservation.
  • A pesquisadora Megan Claase liderou o estudo; uma guia de safári, Duncan Rowles, havia visto um bando vizinho comendo as frutas um ano antes.
  • A alimentação frugívora ocorreu próximo ao covil, antes da caça, e cães mais velhos da hierarquia inferior também comiam fruta ao longo do dia, possivelmente complementando a dieta.
  • A pesquisadora aponta que esse comportamento pode se espalhar entre alcateias, já que filhotes seriam introduzidos à fruta na toca; a espécie de cães selvagens africanos está classificada como ameaçada, com cerca de 6.600 adultos.

Dieta inusitada: cães-selvagens africanos, conhecidos por seu regime estritamente carnívoro, foram registrados comendo frutas pela primeira vez. A observação ocorreu no delta do Okavango, em Botswana, entre julho e agosto de 2022, por uma equipe de pesquisadores liderada por Megan Claase. O estudo foi publicado na revista Canid Biology & Conservation.

A matilha observada tinha 11 adultos que consumiam jackalberries quase diariamente, próximo ao abrigo da toca, antes de partirem para a caça. A fruta costuma ser consumida por chacais, mas não era registrada entre os cães-pintados. Em cães, dentes são adaptados para carne e osso, o que torna esse comportamento particularly notável.

Paralelamente, cães mais velhos, subdominantes, também comiam frutos ao longo do dia, possivelmente complementando a nutrição devido à menor chance de acesso à carne. Pups são alimentados de forma cooperativa, o que sugere que a nova fonte pode se espalhar dentro da espécie.

Detalhes da Observação

Claase observou que a alimentação frugívora ocorreu próximo ao abrigo e antes da caçada. Ela suspeita que o consumo de fruta possa servir de combustível para a perseguição de presas. Em outro registro, três fêmeas do mesmo grupo dispersaram para áreas ao sul, perto da Moremi Game Reserve, o que indica possível disseminação do hábito entre as redes de grupos.

Implicações para a Conservação

A descoberta é relevante porque os cães-selvagens africanos estão classificados como vulneráveis, com cerca de 6.600 adultos em todo o mundo. A adaptabilidade pode influenciar estratégias de sobrevivência frente à perda de habitat e mudanças climáticas, segundo Claase, que hoje atua como gerente de conservação da ONG African Parks, em territórios do Sudão do Sul.

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