- Autoridades brasileiras apreenderam quase 29 toneladas de barbatanas de tubarão neste mês, apontando para pesca ilegal no país.
- As barbatanas vieram de cerca de 10.000 tubarões, entre tubarões-nazona azul e tubarão-saca-anel, e seriam exportadas ilegalmente para a Ásia.
- A operação, realizada pela Ibama, envolve repetidas infrações: uma empresa exportadora no sul de Santa Catarina respondeu por 98,5% da apreensão (27,6 toneladas); outra chegou a tentar exportar 1,1 tonelada no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
- A Ibama informou que a prática ilegal também causa danos à avifauna marinha e que há pouca, se houver, demanda interna por barbatanas no Brasil.
- Embora não haja nomes oficiais divulgados, a investigação aponta para irregularidades na cadeia produtiva, com autuações e multas previstas, enquanto outras empresas seguem sob apuração.
O Brasil realizou, neste mês, a apreensão de quase 29 toneladas de barbatanas de tubarão, em uma operação que revelou a extensão de pesca ilegal no país. A ação aponta para o possível comércio clandestino internacional, com destino aos mercados asiáticos, onde as barbatanas são usadas na sopa de barbatana de tubarão.
Segundo o Ibama, a operação envolveu aproximadamente 10 mil tubarões das espécies blue shark (Prionace glauca) e shortfin mako (Isurus oxyrinchus). As barbatanas foram identificadas como provenientes de pesca irregular, ainda que parte das embarcações apresentasse autorizações para outras espécies.
A investigação teve início a partir do volume de barbatanas apreendidas, que levou equipes a verificar a origem, os agentes comerciais envolvidos e as embarcações utilizadas. O Ibama ressaltou que o consumo de barbatanas no Brasil é praticamente nulo.
A responsabilidade pela maior parte da carga recai sobre uma empresa exportadora sediada no sul de Santa Catarina, responsável por 98,5% do total, ou 27,6 toneladas. Uma segunda empresa foi flagrada tentando exportar 1,1 tonelhão no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. As duas firmas receberam notificação de infração e podem receber multas.
Embora a identificação formal de todas as empresas não tenha sido divulgada, imagens do Ibama mostraram o nome Kowalsky, que negou as acusações via redes sociais. Em nota, a empresa afirmou que as barbatanas não provêm de espécies em risco e que os animais já eram subprodutos de pescarias legais.
A organização Sea Shepherd Brasil pediu a proibição direta do comércio de barbatanas e da importação de carne de tubarão no país. O grupo destacou o elevado consumo de cação no Brasil e a participação do país no mercado global, além de citar estudo de 2022 que indica desconhecimento de grande parte da população sobre a natureza do cação.
Em âmbito internacional, tubarões e raias são classificados como espécies vulneráveis ou em risco por órgãos como a IUCN, com quedas de população significativas desde a década de 1970, principalmente por atividades de pesca. A operação brasileira sinaliza um esforço de atuação para coibir práticas que afetam a fauna marinha e o ecossistema.
Contexto e impactos
O Ibama afirma que a fiscalização continuará e que as irregularidades serão apuradas com base na cadeia de produção reversa, desde a origem até a destinação final. A autoridade ambiental brasileira enfatiza que, no mercado interno, não há demanda relevante por estas peças, reforçando o caráter transnacional da atividade ilícita.
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