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Indígenas ocupam terminal da Cargill em Santarém contra decreto de Lula

Indígenas invadem terminal da Cargill em Santarém em protesto contra decreto de Lula que inclui hidrovias no programa de desestatização

Indígenas também protestaram em frente à sede da Cargill, em São Paulo. (Foto: EFE/Sebastiao Moreira)
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  • Indígenas invadiram o terminal da Cargill em Santarém (PA) na madrugada de 21 de fevereiro, em protesto contra o Decreto 12.600, que inclui as hidrovias dos rios Tapajós, Tocantins e Madeira no Programa Nacional de Desestatização.
  • O decreto, de agosto de 2025, prevê dragagem para facilitar o transporte fluvial de grãos na região amazônica. Manifestações também ocorreram em São Paulo, na sede da empresa.
  • A Cargill disse que as ações foram consideradas violentas, atingiram ativos da empresa e que funcionários buscaram abrigo em local fechado antes de serem retirados com segurança.
  • As organizações indígenas afirmam que o decreto autoriza explosivos para remover rochas no leito de rios; ecologistas temem impacto na fauna da região.
  • A Justiça manteve a desocupação do cais e negou pedido de desocupação forçada do escritório em Santarém; o governo informou que busca negociação e criou grupo de trabalho para discutir o tema.

Um grupo de indígenas invadiu na madrugada de sábado 21 os escritórios da Cargill no porto de Santarém, no Pará. O ato ocorreu em protesto contra o Decreto 12.600, publicado pelo governo, que inclui hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização. As ações também ocorreram em frente à sede da empresa em São Paulo.

A Cargill informou que, em São Paulo, houve vandalismo à fachada do prédio. Horas depois, o terminal portuário de Santarém foi invadido, após a portaria de caminhões ter sido bloqueada há 30 dias. Funcionários buscavam abrigo seguro diante da invasão.

Segundo a empresa, trabalhadores se recolheram em local fechado e foram retirados com segurança. A Cargill ressaltou manter contato com as autoridades para a desocupação ser feita de forma ordeira e segura.

Contexto do decreto e reação dos povos

O Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita) afirma que o decreto autoriza uso de explosivos para retirar rochas no leito de rios amazônicos, o que acendeu o temor pela fauna local. A entidade afirma ainda que houve um mês de silêncio institucional antes das mobilizações.

Indígenas sinalizam abertura ao diálogo, mas mantêm mobilização até que haja revogação do decreto. A carta aberta publicada na ocasião descreve a decisão como resultado de análises jurídicas, políticas e da insatisfação com o decreto.

A ABTP repudiou os atos violentos e disse que as intervenções não envolvem as demandas indígenas, que cabem ao poder público. A associação defende o diálogo institucional como caminho adequado.

Governo, justiça e desdobramentos

O governo enviou representantes ao Pará e afirmou que as dragagens são ações de rotina para assegurar o tráfego na Hidrovia do Tapajós, sem relação com os estudos de concessão previstos no decreto. Um grupo de trabalho interministerial foi criado para debater o tema.

A justiça já havia determinado o desbloqueio do cais da Cargill, com ações administrativas em curso para desocupação. Na última semana, houve enfrentamento entre decisões judiciais e recursos apresentados pelo MPF, com impactos no andamento das obras.

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