- Indígenas invadiram o terminal da Cargill em Santarém (PA) na madrugada de 21 de fevereiro, em protesto contra o Decreto 12.600, que inclui as hidrovias dos rios Tapajós, Tocantins e Madeira no Programa Nacional de Desestatização.
- O decreto, de agosto de 2025, prevê dragagem para facilitar o transporte fluvial de grãos na região amazônica. Manifestações também ocorreram em São Paulo, na sede da empresa.
- A Cargill disse que as ações foram consideradas violentas, atingiram ativos da empresa e que funcionários buscaram abrigo em local fechado antes de serem retirados com segurança.
- As organizações indígenas afirmam que o decreto autoriza explosivos para remover rochas no leito de rios; ecologistas temem impacto na fauna da região.
- A Justiça manteve a desocupação do cais e negou pedido de desocupação forçada do escritório em Santarém; o governo informou que busca negociação e criou grupo de trabalho para discutir o tema.
Um grupo de indígenas invadiu na madrugada de sábado 21 os escritórios da Cargill no porto de Santarém, no Pará. O ato ocorreu em protesto contra o Decreto 12.600, publicado pelo governo, que inclui hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização. As ações também ocorreram em frente à sede da empresa em São Paulo.
A Cargill informou que, em São Paulo, houve vandalismo à fachada do prédio. Horas depois, o terminal portuário de Santarém foi invadido, após a portaria de caminhões ter sido bloqueada há 30 dias. Funcionários buscavam abrigo seguro diante da invasão.
Segundo a empresa, trabalhadores se recolheram em local fechado e foram retirados com segurança. A Cargill ressaltou manter contato com as autoridades para a desocupação ser feita de forma ordeira e segura.
Contexto do decreto e reação dos povos
O Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita) afirma que o decreto autoriza uso de explosivos para retirar rochas no leito de rios amazônicos, o que acendeu o temor pela fauna local. A entidade afirma ainda que houve um mês de silêncio institucional antes das mobilizações.
Indígenas sinalizam abertura ao diálogo, mas mantêm mobilização até que haja revogação do decreto. A carta aberta publicada na ocasião descreve a decisão como resultado de análises jurídicas, políticas e da insatisfação com o decreto.
A ABTP repudiou os atos violentos e disse que as intervenções não envolvem as demandas indígenas, que cabem ao poder público. A associação defende o diálogo institucional como caminho adequado.
Governo, justiça e desdobramentos
O governo enviou representantes ao Pará e afirmou que as dragagens são ações de rotina para assegurar o tráfego na Hidrovia do Tapajós, sem relação com os estudos de concessão previstos no decreto. Um grupo de trabalho interministerial foi criado para debater o tema.
A justiça já havia determinado o desbloqueio do cais da Cargill, com ações administrativas em curso para desocupação. Na última semana, houve enfrentamento entre decisões judiciais e recursos apresentados pelo MPF, com impactos no andamento das obras.
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