- A revista The Lancet afirma que a ofensiva israelense em Gaza matou 75.200 palestinianos entre outubro de 2023 e janeiro de 2025, adicionando 25.000 mortes às 49.900 já registradas pelo ministério de saúde local.
- A pesquisa, realizada com entrevistas a 2.000 famílias gazatíes, diz que esses números são uma estimativa conservadora e confiável, apesar de ocorrerem em condições extremas.
- Segundo o estudo, 56% das mortes diretas até o início de 2025 foram de mulheres, menores de 18 anos ou maiores de 64.
- Além das mortes diretas, o estudo estima 8.540 óbitos indiretos, decorrentes do deterioro das condições de vida e do bloqueio humanitário.
- As autoridades de Gaza registram 72.069 mortos até agora, número que a ONU utiliza como referência; o levantamento de The Lancet é semelhante a outras pesquisas independentes sobre o tema.
O estudo independente publicado pela revista The Lancet aponta que a ofensiva israelense em Gaza, entre outubro de 2023 e janeiro de 2025, resultou na morte de 75.200 palestinos. A pesquisa adiciona 25.000 óbitos às 49.900 já registrados pelo Ministério da Saúde de Gaza, elevando o total estimado para esse período.
A metodologia envolve entrevistas com 2.000 famílias gazatíes, conduzidas entre 30 de dezembro de 2024 e 5 de janeiro de 2025. Os autores afirmam que os dados oficiais de Gaza são conservadores, apesar das condições extremas de registro durante o conflito.
Segundo o estudo, 56% das mortes diretas até o início de 2025 ocorreram entre mulheres, crianças ou idosos. A pesquisa também estima 8.540 mortes indiretas, decorrentes do agravamento das condições de vida, do bloqueio humanitário e da indisponibilidade de tratamento médico.
Dados e contexto
O levantamento aponta que as mortes oficiais de Gaza até hoje, cerca de 72.069 segundo autoridades locais, podem subestimar o peso real da violência. Organizações internacionais costumam usar esse total como referência, enquanto estimativas independentes sugerem números superiores.
A investigação liderada por Michael Spagat, da Royal Holloway University, destaca que o registro de óbitos gazatíes não abrange milhares de desaparecidos sob os escombros. O estudo compara as cifras com pesquisas anteriores realizadas por institutos demográficos independentes.
A pesquisa não distingue entre civis e combatentes nas fatalidades citadas. Em 2024, autoridades israelenses chegaram a estimar cerca de 70.000 mortes no território, números que dialogam com as cifras apresentadas pela pesquisa independente, ainda que sob diferentes métodos de cálculo.
Contexto do conflito e desdobramentos
A ofensiva começou em 7 de outubro de 2023, após ataque de Hamas a Israel, resultando em quase 1.200 mortes no lado israelense. A partir de então, Gaza viveu bombardeios quase contínuos e, no fim de 2023, houve uma breve trégua.
O bloqueio de alimentos e suprimentos básicos, implementado por Israel, levou a uma crise humanitária marcada por desnutrição entre crianças e dificuldades médicas. A ONU registrou desnutrição em milhares de menores de cinco anos no início de 2025.
O cessar-fogo parcial, iniciado em outubro, permitiu ampliar a busca por corpos sob escombros. O Ministério da Saúde de Gaza informou ter encontrado 726 cadáveres desde outubro. O atual alto fogo não interrompeu completamente as hostilidades.
Observações finais da pesquisa
A Lancet enfatiza que a contagem apresentada é uma estimativa baseada em dados empíricos obtidos com entrevistas de campo, sujeita a margens de erro. A pesquisa não faz distinção entre vítimas civis e combatentes, e reforça a necessidade de avaliações independentes para calibrar o custo humano do conflito.
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