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Mulheres palestinas relatam horror ao retornar a Gaza

Mulheres palestinas que retornavam a Gaza relatam jornada de horror: vendadas, algemadas e interrogadas na passagem de Rafah, com atrasos e confisco de presentes

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Huda Abu Abed abraça seus netos em um abrigo de tendas após retornar a Gaza pela passagem de Rafah 3 de fevereiro de 2026 REUTERS/Mahmoud Issa
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  • mulheres palestinas que tentaram retornar a gaza relatam terem sido vendadas, algemadas e interrogadas pelas forças israelenses durante a passagem de Rafah, no retorno ao enclave
  • a reabertura da passagem ocorreu na segunda-feira, com apenas três mulheres e nove crianças autorizadas a passar até o fim do dia; outras 38 pessoas aguardavam para atravessar
  • o trajeto começou no egito, seguiu pela zona da “linha amarela” e envolveu monitoramento por forças de segurança palestinas e israelenses, além de controle de presentes confiscados
  • uma das sobreviventes afirmou que o interrogatório durou mais de duas horas e que teve perguntas sobre Hamas e o ataque de outubro de dois mil e vinte e três; outras relatos mencionaram a participação de milícia palestina apoiada por israelenses
  • as forças armadas de israel negaram irregularidades, dizendo ter havido identificação e triagem conforme procedimento acordado com a presença de observadores europeus, enquanto milícias locais conduziam parte dos deslocamentos antes da passagem pela fronteira

Mulheres palestinas relataram ter sido vendadas, algemadas e interrogadas pelas forças israelenses ao tentar retornar para Gaza após a reabertura da passagem de Rafah, na segunda-feira (2). Elas estavam entre as poucas pessoas autorizadas a regressar ao enclave, após o anúncio de retomada do fluxo no cessar-fogo assinado em outubro do ano anterior.

O trajeto teve início no Egito e passou por um posto fronteiriço, atravessando a linha amarela, controlada por Israel e por um grupo militante aliado. Relatos indicam longos atrasos e o confisco de presentes, incluindo brinquedos, na passagem. Uma das mulheres descreveu a jornada como de horror e humilhação.

Entre as entrevistadas, Huda Abu Abed, 56 anos, disse à Reuters que a família está em Khan Younis, no sul de Gaza, e que o grupo de repatriados chegou nesta segunda-feira. A repatriação envolveu 12 pessoas, que depois seguiram de ônibus pela área sob controle israelense.

Outra mulher, Sabah al-Raqeb, 41 anos, afirmou que o trajeto de retorno foi interrompido em um posto de controle operado por milícia palestina apoiada por Israel, identificada como as Forças Populares Abu Shabab. Ela contou que foi vendada e encaminhada a um posto de segurança onde autoridades israelenses aguardavam.

Durante o interrogatório, as autoridades questionaram sobre o Hamas, o ataque de 7 de outubro de 2023 e outras questões ligadas à militância. Os relatos indicam que a interrogatória durou mais de duas horas. As milícias disseram que poderiam permanecer na área sob controle israelense.

As Forças Armadas de Israel negaram irregularidades, afirmando que não houve conduta inadequada, maus-tratos ou apreensões de propriedade. Em nota, ressaltaram que houve um processo de identificação e triagem nas instalações de Regavim, com participação de pessoal europeu conforme acordo entre as partes.

A passagem de Rafah é apontada como a única rota de entrada e saída para boa parte dos mais de 2 milhões de habitantes de Gaza. A fronteira ficou fechada pela maior parte do conflito, tendo sido reaberta de forma limitada na segunda-feira, com expectativas de ampliar o fluxo nos próximos dias.

Segundo fontes palestinas e egípcias, cerca de 50 pessoas aguardavam para cruzar ao Gaza no dia da reabertura; no fim da tarde, apenas três mulheres e nove crianças tinham conseguido passagem, enquanto 38 aguardavam a liberação. Do lado egípcio, cinco pacientes com sete acompanhantes cruzaram para o Egito para tratamento médico.

A cidade de Rafah, com cerca de 250 mil habitantes, ficou amplamente desocupada durante a guerra e passou por demolições extensas. Estima-se que cerca de 20 mil pessoas de Gaza esperem deixar o território para tratamentos no exterior, com previsão de que mais 50 atravessem a fronteira na terça-feira (3).

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