- A Suécia concedeu as licenças para a mina Nunasvaara South da Talga Group, próxima a Vittangi, após consulta comunitária e estudos para reduzir impactos.
- A Comissão Europeia incluiu o projeto na lista de projetos estratégicos de matérias-primas críticas, acelerando permissões e processos.
- Líderes Sámi e ativistas criticam a consulta e salvaguardas ambientais, alegando impactos em pastagens de inverno para renas e habitats, além de preocupações com consulta pública.
- A Talga afirma ter redesenhado a área da mineração para minimizar danos e manter diálogo com as comunidades; a empresa destaca footprint relativamente pequeno e importância para o mercado europeu de baterias.
- O projeto fica em área de proteção Natura 2000 e utiliza 149 hectares para extrair até 120 mil toneladas de minério de grafita por ano, em meio a tensões sobre direitos de pastagem e uso da terra pelas comunidades Sámi.
A Comissão Europeia incluiu o projeto Nunasvaara South, da Talga Group, entre os estratégicos para materiais críticos, acelerando permissões. Em resposta, autoridades suecas concederam licenças para avançar com a mina de grafite no norte do país após consulta comunitária e estudos de mitigação. O processo ocorreu mesmo com recursos apresentados por Sámi e grupos ambientais.
Líderes Sámi questionam a validade da consulta e as salvaguardas ambientais. A Talga afirma ter redesenhado a área para reduzir impactos, manter o diálogo com as comunidades e cumprir normas. Entidades locais relatam receios de uso de terras de inverno para extração e de efeitos sobre pastagem de renas.
As alegações de comunidade destacam que parte da área compartilhada com pastoreio pode ficar indisponível por metade do ano, afetando a subsistência. Fontes indicam que compensações previstas seriam insuficientes e que o diálogo com as comunidades foi limitado, segundo análises independentes.
O que ocorreu, quando e onde
A permissão para explorar a mina em Nunasvaara South foi efetivada no contexto sueco, com o aval de tribunais locais. A decisão ocorre após diligências sobre impactos ambientais e após a decisão de rejeitar recursos apresentados pela comunidade Sámi e por grupos ambientais. O empreendimento fica próximo a Vittangi, no norte da Suécia, e envolve extração de até 120 mil toneladas por ano em 149 hectares.
Quem está envolvido
Talga Group, empresa australiana, é a responsável pelo projeto. A comunidade Sámi, representada por conselhos regionais, contesta a consulta e as salvaguardas. A União Europeia, por meio da Comissão, classifica o projeto como estratégico, o que acelera o trâmite de licenças. O processo envolve autoridades suecas e órgãos ambientais.
Por que isso importa
A iniciativa integra a cadeia de suprimento de baterias da UE, com a mina fornecendo grafite à planta de refino em Luleå, para fabricação de células de íon-lítio. A decisão levanta debates sobre direitos dos povos indígenas, impactos à caça de renas e aos ecossistemas aquáticos da região Torne e Kalix.
Reações e próximos passos
A Talga afirma ter mantido diálogo contínuo com comunidades Sámi desde 2011 e ressalta que a área tem pegada menor que outras minas na região. Já líderes Sámi dizem que, mesmo com promessas de suspensão no inverno, os impactos sobre pastagens e habitats podem persistir e ameaçam a viabilidade da criação de renas.
Contexto legal e institucional
O status de projeto estratégico sob a lei de materiais críticos da UE acelera aprovações, mas é alvo de críticas sobre impactos culturais e ambientais. A Sámi Council acusa o processo de priorizar recursos sobre direitos tradicionais, alertando para potenciais violações de RCAs ambientais.
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