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Força paramilitar sudanesa sequestra crianças em Darfur, dizem testemunhas

Testemunhas relatam abdução de ao menos 56 crianças por combatentes do RSF em Darfur, durante a tomada de al-Fashir, com pais mortos em alguns casos

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
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  • Testemunhas ouvidas pela Reuters relatam sequestros de crianças durante a tomada de al-Fashir pelo RSF, em outubro, e em ataques em Darfur desde o início da guerra.
  • Ao todo, 23 incidentes teriam levado ao rapto de pelo menos 56 crianças entre dois meses e 17 anos; em alguns casos, os pais foram mortos antes dos ataques.
  • Relatos indicam que o RSF disse às famílias que as crianças seriam usadas como escravas ou para cuidar de animais.
  • O RSF não respondeu aos pedidos de comentário; autoridades dizem que não aceitam civis mantidos pela milícia e que investigam abusos cometidos por combatentes suspeitos.
  • Especialistas jurídicos informam que os sequestros podem configurar cárcere ilegal, tortura, crimes contra a humanidade e crimes de guerra; UNICEF destacou padrões preocupantes de violações contra crianças.

Paramilitares do RSF teriam sequestrado crianças em al-Fashir e em ataques no Darfur durante a guerra civil, segundo relatos de testemunhas ouvidas pela Reuters. Os relatos noticiam que, em alguns casos, os pais foram mortos antes de as crianças serem levadas.

Ao menos 56 menores, entre dois meses e 17 anos, teriam sido raptados em 23 incidentes desde 2023. As fontes descrevem capturas ocorridas em al-Fashir, na cidade sitiada, e ao longo da rota para Tawila, além de ações em áreas vizinhas do Darfur.

As fontes afirmam que os fighters do RSF disseram às famílias que as crianças seriam usadas como escravas ou para cuidar do gado. Em alguns casos, há relatos de familiares mortos durante os ataques que precederam os sequestros.

O RSF luta contra as forças do governo desde abril de 2023, disputando o controle do país rico em recursos. Entidades de direitos humanos já apontam crimes de guerra de ambos os lados, incluindo recrutamento de crianças, mas a abdução de menores pelo RSF não havia sido amplamente divulgada pela mídia.

UNICEF e o IPC discutem casos de violência contra crianças, enquanto a ONU aponta que a região enfrenta uma crise humanitária de grandes proporções. O RSF nega reiteradamente violência direcionada contra civis e afirma investigar membros suspeitos de abusos.

Cenário em al-Fashir e implicações legais

Testemunhas relataram que, na maioria dos casos, as crianças tinham parentes mortos ou estavam presentes quando os pais foram atacados. Alguns relatos descrevem o sequestro durante o cerco de al-Fashir, que se intensificou no fim de outubro.

Especialistas legais consultados pela agência estimam que os relatos podem configurar prisão ilegal, tortura, crimes de guerra ou crimes contra a humanidade. As informações, no entanto, não foram verificadas de forma independente pela Reuters.

O alto comitê da ONU para a infância indicou que houve padrões graves de violação contra crianças no contexto do conflito. Observadores destacam que, se confirmadas, as ações teriam repercussões legais internacionais.

Diversas testemunhas também descrevem que as crianças foram retiradas com o objetivo de ficar com gado ou como parte de atividades de aproveitamento econômico por milícias aliadas ao RSF. Os relatos ocorrem em meio a denúncias de deslocamento massivo na região.

Autoridades do governo apoiado pelo exército afirmam que não podem tolerar que civis sejam mantidos como reféns por milícias, ressaltando que essas práticas violariam leis nacionais e internacionais. O RSF também chega a negar responsabilidades em atrocidades atribuídas a seus militares.

Relatos de testemunhas foram coletados por meio de entrevistas presenciais ou por telefone, com deslocados que buscaram abrigo em Tawila, no norte do Darfur, ou no leste do Chade.

A comunidade internacional acompanha o desenrolar do caso, incluindo investigações de cortes internacionais, com foco especial na proteção de mulheres, meninas e crianças em zonas de conflito.

Ao longo de outubro, o RSF consolidou o controle de Darfur ao tomar al-Fashir, cidade que vinha abrigando deslocados. Houve relatos de abusos e de execuções sumárias durante o cerco e as ações subsequentes.

Testemunhas destacam ainda a existência de termos pejorativos usados por combatentes do RSF ao se referirem a crianças associadas a civis do exército, alimentando debates sobre motivações étnicas no conflito.

O jornalismo independente permanece essencial para esclarecer o que ocorreu, com verificação cruzada de fontes e acompanhamento de familiares de quem foi sequestrado. Fontes oficiais continuam a se posicionar sobre o tema.

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