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Mulheres palestinas relatam jornada de horror ao cruzar de volta para Gaza

Mulheres palestinas retornando a Gaza relatam jornada de horror com interrogatórios e presentes confiscados; apenas 12 cruzaram na primeira abertura da fronteira

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Huda Abu Abed, 56, at a tent shelter after returning to Gaza through the Rafah crossing, in Khan Younis
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  • Doze mulheres palestinas retornaram a Gaza na abertura do crossing de Rafah, mas apenas doze entre os 50 esperados conseguiram entrar; ao final da primeira noite, três mulheres e nove crianças haviam atravessado, com 38 ainda na fila.
  • As retorno foram acompanhadas por controvérsias: as mulheres disseram ter sido vendadas, algemadas e interrogadas durante a passagem pela zona controlada por Israel e por milícias aliadas.
  • A viagem começou no Egito, passou pelo posto fronteiriço e pela zona “linha amarela” sob controle israelense, com atraso e confisco de presentes, inclusive brinquedos.
  • Além das 12 que entraram em Gaza, cinco pacientes com sete familiares conseguiram atravessar para o Egito para tratamento médico; outros aguardavam autorização.
  • O Exército de Israel negou maus-tratos, afirmando haver um processo de identificação e triagem no local Regavim, com monitoramento europeu conforme acordo entre as partes.

Palestinian women entre os poucos permitidos a retornar a Gaza após a reabertura do posto de Rafah descrevem uma jornada marcada por atrasos, confisco de presentes e interrogatórios. O retorno ocorreu na segunda-feira, quando o trânsito entre Egito e Gaza foi retomado em parte, sob supervisão de forças israelenses e milícias locais.

Segundo relatos, doze pessoas conseguiram cruzar o território na primeira leva, incluindo mulheres que enfrentaram procedimentos de identificação na passagem até chegar ao lado de Gaza. Diante da situação, surgiram relatos de atraso prolongado na fronteira e de itens recebidos como presentes sendo apreendidos pela organização de monitoramento na fronteira.

Huda Abu Abed, 56 anos, contou por telefone, de Khan Younis, que a experiência foi de “horror, humilhação e opressão”, segundo a sua visão compartilhada por outras mulheres entrevistadas. Um segundo relato descreveu o trajeto com a passagem pela zona controlada por milícia aliada de Israel, conhecida como zona amarela.

Interrogatórios e controle

Entre as mulheres que retornaram houve identificação de interrogatórios, com perguntas sobre Hamas e ataques de 7 de outubro de 2023. As entrevistadas disseram ainda que foram celermente encaminhadas a um ponto de segurança vigorado por forças israelenses ao chegarem ao lado de Gaza.

De acordo com as próprias versões, o trajeto de retorno envolveu escolta por veículos de quatro rodas e a presença de milícias locais próximas ao posto de passagem. As respondentes relataram que foram vendadas e algemadas durante parte do procedimento de verificação.

Oficialmente, o Ministério da Defesa de Israel negou irregularidades, afirmando apenas que houve um processo de identificação e triagem no local controlado pelo aparato de segurança, com monitoramento europeu conforme acordo entre as partes. Acompanhou a verificação o ponto de Regavim, conforme a nota.

Contexto da fronteira e desdobramentos

O Rafah permanece como rota principal para entrada e saída de Gaza, mas segue em regime de restrições desde o início da guerra. A área sob controle israelense abriga a milícia associada à facção palestina, conhecida como Popular Forces, que atuou no posto.

Ao todo, estimativas apontam que cerca de 20 mil habitantes de Gaza ainda buscam tratamento médico no exterior. Embora a reabertura tenha sido lenta, muitos relatos indicam alívio para quem depende de viagens para tratamento. Na segunda-feira, outras centenas de pessoas eram aguardadas para atravessar.

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