- Em julho de 2023, pesquisadores observaram baleias-de-barbeta ajudando na nascimento de um filhote, incluindo indivíduos não relacionados à mãe.
- O grupo, composto por onze baleias de uma unidade chamada A, ficou próximo à superfície, com mergulhos rasos e comunicação intensa durante todo o episódio.
- O nascimento ocorreu com o rabo primeiro; após quarenta minutos, o filhote foi entregue aos que o ergueram para respirar na superfície.
- Por aproximadamente seis horas, parentes e não parentes contribuíram para o cuidado, com a avó, tias e irmã mais velha desempenhando papéis significativos.
- Este é o primeiro caso conhecido de mamíferos marinhos ajudando no parto de um não parente, sugerindo uma cooperação social que pode remontar aos primórdios da evolução das baleias dentadas.
Do estudo a campo, pesquisadores da CETI testemunharam em julho de 2023, no Caribe, um caso inédito de auxílio durante o parto de uma baleia-spermata. A mãe, chamada Rounder, recebeu apoio de 11 baleias de um grupo próximo, incluindo indivíduos não relacionados. O episódio ocorreu próximo da superfície, em condições de água profunda.
A equipe do CETI monitorava sons de baleias com microfones subaquáticos, drones e câmeras para decodificar a comunicação entre os cetáceos. As baleias, habitualmente mergulhadoras em profundidades de até 2 mil metros, reduziram subitamente as mergulhadas e permaneceram em atividade social elevada durante horas.
O parto do filhote aconteceu com a cauda primeiro e, ao fim de 34 minutos, a cría foi cercada por baleias que ajudaram a emergir à superfície para respirar. O recém-nascido é de flutuabilidade negativa, o que aumenta a necessidade de apoio no nascimento.
Ao longo de cerca de seis horas, o grupo manteve a mãe e o filhote na superfície, com parentes próximos e indivíduos não aparentados oferecendo suporte. A irmã mais velha desempenhou papel destacado, enquanto um único homem do grupo participou pouco.
O comportamento sugere cuidado cooperativo desde o nascimento, com interações sociais intensas e colaboração que extrapolam laços de parentesco. Cientistas ressaltam que essa assistência pode representar uma adaptação evolutiva antiga entre baleias dentadas.
A pesquisa de CETI já dura décadas e contribuiu para a interpretação do caso, destacando a estreita rede social que sustenta as baleias-spermata. O episódio registrado reforça a ideia de que o cuidado compartilhado faz parte da vida dessas espécies desde tempos remotos.
Observação sobre o estudo e contexto
A atuação coletiva no parto evidencia que o alloparenting pode ir além da assistência à mãe, envolvendo cooperação entre membros do grupo para proteger o filhote recém-nascido. O caso permanece único na literatura sobre cetáceos e abre caminho para novas investigações.
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