- Estudaram 503 casos desde 1892 e concluíram que pelo menos 207 espécies de cobras podem ser canibais, entre mais de quatro mil descritas no mundo.
- A pesquisa, publicada na Biological Reviews, é a revisão mais abrangente sobre canibalismo entre serpentes.
- Os casos são de cobras que comem outras cobras, incluindo filhotes, membros da mesma espécie e, em alguns casos, parceiros sexuais.
- Três famílias aparecem com mais frequência: Colubridae, Viperidae e Elapidae; entre elas, motivos variam de estresse, cultivo em cativeiro a ofiófagia (alimentação de serpentes da mesma espécie).
- O principal fator observado foi o tamanho da abertura da boca: se cabe na boca, é possível comer; cobras maiores tendem a ser mais visadas, e algumas espécies mostram canibalismo apenas em determinadas situações.
O canibalismo entre cobras ganhou estudo detalhado em revisão publicada no Biological Reviews, conduzida por pesquisadores brasileiros. Foram analisados 503 casos documentados desde 1892, envolvendo mais de 200 espécies canibais entre cerca de 4 mil répteis. A pesquisa avalia frequência e motivações desse comportamento.
Os dados mostram que o canibalismo é observado em todos os continentes onde há serpentes, exceto a Antártida. Em termos de frequência, três famílias aparecem com mais casos: Colubridae, Viperidae e Elapidae. A maior parte dos registros envolve situações de estresse ou confinamento.
Entre os modos de canibalismo, destacam-se três padrões: canibalismo materno, quando mães comem ovos para proteger filhotes; canibalismo sexual, observado em sucuris-verdes; e ofiófago, quando algumas espécies comem outras cobras. Esses comportamentos variam conforme espécie e contexto.
O estudo aponta que o tamanho da abertura bucal é o principal fator preditivo: quanto maior a boca, maior a chance de ingerir outra cobra. Espécies com bocas menores, como cobras-cegas, apresentam menor incidência desse comportamento.
Entre as cobras analisadas, a Jiboia-vermelha é citada como exemplo de canibalismo durante a criação, e a prática ocorre também em situações de sobra de alimento ou competição entre indivíduos.
Limitações: 43% dos casos ocorreram em cativeiro e 29% não descreviam o contexto. Os autores destacam a necessidade de pesquisas adicionais para confirmar padrões na natureza e entender as condições que favorecem o canibalismo entre serpentes.
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