- Chimps infantis e jovens mostraram mais propensão a ações arriscadas, como esperar sem segurar galhos ou pular entre galhos, do que adolescentes ou adultos.
- A análise envolveu 119 chimpanzés com idades entre cerca de dois e sessenta e cinco anos, no Ngogo Chimpanzee Project, em Uganda.
- O pico de comportamentos arriscados ocorreu até cinco anos de idade, diminuindo conforme a idade avança até a adolescência.
- Pesquisadores levantam que a busca por estímulo motor pode ajudar no desenvolvimento de habilidades físicas, ainda que aumente o risco de fraturas.
- Os autores sugerem que o cuidado humano e a infraestrutura social podem reduzir comportamentos arriscados em crianças, explicando por que humanos tendem a se arriscar mais na adolescência.
Em um estudo publicado em iScience, pesquisadores mostraram que chimpanzés tendem a assumir mais riscos físicos ainda como filhotes, diferente do padrão humano, em que adolescentes costumam buscar mais perigos. A pesquisa analisou 119 indivíduos no Ngogo Chimpanzee Project, em Uganda, usando vídeos de 2020 e 2021. O objetivo foi comparar comportamentos entre faixas etárias.
A equipe, liderada por Bryce Murray, avaliou quantos animais soltaram-se de galhos ou pularam sem se segurar. Os dados foram organizados por idade, variando de cerca de 2 a 65 anos, para entender quando o risco é mais frequente.
Resultados principais
Os chimpanzés infantes, com até 5 anos, foram os mais propensos a manobras aéreas perigosas. A tendência diminui com a idade, com menos ações arriscadas na adolescência, que ocorre entre 10 e 15 anos. Observações foram feitas por meio de filmagens no Ngogo em 2020-2021.
Segundo os autores, tal pico de risco pode favorecer o desenvolvimento motor, fortalecendo ossos e habilidades de locomoção. Contudo, excessos podem causar fraturas com consequências no crescimento.
Papel do cuidado humano
Os pesquisadores sugerem que a vigilância parental e a estrutura social humana ajudam a reduzir comportamentos arriscados entre crianças. Ao contrário, chimpanzés não contam com a mesma rede de proteção, o que pode explicar o padrão observado.
As conclusões apontam para uma hipótese central: o cuidado humano pode moderar impulsos perigosos na infância, adiando picos de risco para a adolescência humana, ao passo que chimpanzés mantêm a maior propensão nesses estágios iniciais.
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