- A costa de East Yorkshire é uma das mais rápidas para erosão no Reino Unido, com dezenas de vilarejos já perdidos ao longo dos séculos.
- Mapas históricos mostram localidades sumindo ao longo de 400 anos, como Dimlington, Owthorne, Waxholme, Hornsea Beck e Old Kilnsea.
- Estima-se que mais de trinta locais tenham desaparecido do litoral de East Yorkshire desde o século XVI, segundo registros cartográficos.
- Embora existam defesas contra inundações desde 2013, o mar continua a causar erosão e ameaçar estruturas próximas à costa.
- Autoridades alertam que o risco de erosão deve aumentar com as mudanças climáticas, elevação do nível do mar e tempestades mais intensas, dentro do programa Changing Coasts East Riding, parte de um investimento governamental de 200 milhões de libras para resiliência costeira.
O litoral de East Yorkshire abriga uma das costas mais acidentadas da Grã-Bretanha, com erosões que ao longo dos séculos engoliram dezenas de vilarejos. Relatos antigos, passados de geração em geração, falam de aldeias que teriam sido engolidas pelo mar, onde seria possível ouvir sinos de igreja ao longe.
Shirley, hoje com 90 anos, relembra a história como algo que começou como uma lenda infantil. Ela cresceu em Withernsea na década de 1940 e diz que o relato era de uma vila que se perdera no oceano, deixando os sinos ouvíveis em certas marés. A origem do rumor pode estar ligada à igreja de Owthorne, Norte de Withernsea, onde parte da cidade antiga desapareceu no século XIX.
Documentos históricos ajudam a traçar o quadro da erosão na região desde o século XVI. Mapas de Christopher Saxton, em 1577, registram hamlets que depois foram engolidos pelo mar, como Dimlington, Owthorne e Waxholme. Em 1786, o Hornsea Beck já não existia mais, segundo um mapa de John Tuke. Estudos recentes indicam que 38 casas de Hornsea Beck teriam desaparecido desde 1547, com quase todas somadas até 1695.
Mudanças históricas ao longo dos séculos
Relatórios de 1912, com um mapa de Thomas Sheppard, mostram cidades que antes eram interiores, como Old Kilnsea, Ravenspurn e Out Newton, já perdidas parcialmente. Em conjunto, as representações cartográficas evidenciam a perda de mais de 30 localidades na costa de East Yorkshire, ao longo de 400 anos, dificultando a vida de comunidades litorâneas.
A preocupação entre pesquisadores e trabalhadores de arquivo é compartilhada por moradores de longo prazo. Hannah Stamp, do arquivo da região, destaca o impacto direto nas comunidades costeiras e a vulnerabilidade cotidiana. David Whitaker, proprietário de um pub em Kilnsea, descreve a oscilação do solo costeiro, que pode transformar uma trilha em praia de um ano para o outro.
Impactos contemporâneos e respostas oficiais
A vida no limite do mar traz desafios como cortes de energia e falhas de internet, além do próprio risco geológico. O proprietário do Crown and Anchor afirma que, mesmo com defesas costeiras erguidas em 2013, as ondas ainda alcançam o estabelecimento durante tempestades. O cenário atual exige adaptação contínua da população local.
Mesmo diante de dificuldades, muitos veem a paisagem como uma fonte de tranquilidade, beleza e pôr do sol. A experiência diária inclui a convivência com o risco de erosão, além de benefícios estéticos que atraem moradores e visitantes, reforçando o senso de identidade da região.
Perspectivas de planejamento e futuro
Especialistas ressaltam que o risco de erosão costeira tende a aumentar devido às mudanças climáticas, ao aumento do nível do mar e ao maior vigor das tempestades. O programa denominado Changing Coasts East Riding integra o investimento público de aproximadamente 200 milhões de libras destinado a aumentar a resiliência costeira e a adaptar infraestruturas a um clima em mudança.
Fontes oficiais indicam que a iniciativa busca reduzir vulnerabilidades, apoiar comunidades e incentivar estratégias de defesa costeira mais robustas. O tema permanece central para o planejamento regional, diante da continuidade da erosão e da necessidade de monitoramento constante.
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