- Idoso de 76 anos com situs inversus e dextrocardia foi submetido a cirurgia de ponte de safena com apoio robótico no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul (PR), no dia 6 de março.
- O caso é potencialmente inédito no Brasil, não havendo registro público de procedimento robótico semelhante em pacientes com essa anatomia.
- Os cirurgiões responsáveis foram Rodrigo Ribeiro de Souza e Milton de Miranda Santoro; a cirurgia exigiu adaptação completa da técnica ao lado invertido dos órgãos.
- A cirurgia robótica reduz incisões e tempo de recuperação, mas requer planejamento detalhado e infraestrutura. O SUS não cobre essa tecnologia, mas o hospital realizou o procedimento gratuitamente por meio do Projeto Idoso 360.
- O Angelina Caron pretende realizar, em 2026, até trinta procedimentos gratuitos de revascularização do miocárdio robótica para pacientes do SUS, com foco em idosos.
O Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul (PR), realizou no dia 6 de março uma cirurgia de revascularização do miocárdio com robô em um paciente de 76 anos com situs inversus, condição em que os órgãos do tórax e abdômen ficam invertidos. A intervenção ocorreu por meio de técnica minimamente invasiva, na ausência de abertura ampla do tórax.
O paciente, que preferiu não se identificar, tem o coração posicionado no lado direito do tórax (dextrocardia). A anatomia incomum elevou o grau de dificuldade da operação, que consiste em desobstruir a artéria coronária com a construção de uma ponte usando a artéria mamária como enxerto. O quadro de aterosclerose levou ao entupimento da artéria, justificando a opção cirúrgica.
A cirurgia foi conduzida pelos cirurgiões cardiovasculares Dr. Rodrigo Ribeiro de Souza e Dr. Milton de Miranda Santoro, especialistas em cirurgia robótica. A equipe utilizou um sistema robótico para ampliar a precisão dos movimentos, mantendo o paciente estável durante o procedimento. O caso é considerado um marco para a prática no Brasil.
Detalhes técnicos
As margens de dificuldade aumentaram pela necessidade de trabalhar com órgãos invertidos. Os médicos tiveram de planejar o posicionamento do paciente e do robô de forma contrária ao usual, com as pinças entrando e a sutura sendo realizada ao contrário. O processo, no entanto, ocorreu sem intercorrências.
Com a robótica, o acesso é feito por incisões pequenas, mantendo o tórax praticamente intacto e reduzindo o tempo de recuperação. O método apresenta vantagens como menor trauma, menor tempo de internação e recuperação mais rápida quando comparado à cirurgia aberta convencional.
O que orientou a decisão, diante da anatomia irregular, foi manter a função do músculo cardíaco ao exigir a revascularização por meio de enxerto. Em geral, a angioplastia seria alternativa, mas não atendia plenamente à configuração do paciente.
Programa do Hospital Angelina Caron
O caso integra o Projeto Idoso 360, programa do hospital que oferece procedimentos cardíacos robóticos gratuitos a pacientes do SUS. A iniciativa visa ampliar o acesso a tecnologias avançadas, especialmente para idosos, com foco na comunidade local.
A expectativa é realizar 30 cirurgias de revascularização do miocárdio robótica em 2026, mantendo a parceria entre estrutura, tecnologia e capacitação de profissionais. Atualmente, cerca de 85% dos atendidos pelo projeto são pacientes do SUS.
Segundo a equipe, a preparação para esse tipo de cirurgia envolve planejamento detalhado de imagens, simulação de posicionamento e coordenação entre anestesistas, instrumentadores e demais profissionais. O undocking, ao final, permite a mobilização do paciente sem atraso.
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