- A carreira em portfólio ganha espaço conforme profissionais buscam autonomia, múltiplas fontes de renda e atuação alinhada ao próprio repertório.
- Conceito divulgado por Charles Handy e expandido por Bill Burnett e Dave Evans, que veem a vida profissional mais como experimentação contínua do que trilhas lineares.
- Surge da combinação de risco econômico de depender de uma única fonte de renda e da busca por expressão profissional que utilize diferentes competências.
- Dados indicam que globalmente apenas 21% dos profissionais estão engajados no trabalho, reforçando a busca por formas de atuação mais significativas.
- Portfólio não é dispersão: há um fio condutor ou competência central que conecta diferentes papéis; pode nascer de uma fase de transição ou tornar-se modelo permanente de carreira.
Entre projetos e múltiplas funções, cresce a adoção de carreiras em portfólio. Profissionais buscam autonomia, diversas fontes de renda e atuação alinhada ao próprio repertório, em um mercado cada vez mais volátil e interdisciplinar.
Historicamente visto com desconfiança, o portfólio profissional hoje é visto como vantagem competitiva. Empresas passaram a valorizar a capacidade de transitar entre contextos diferentes, somando experiências distintas em um conjunto útil e coeso.
Origens da ideia
Charles Handy foi um marco ao descrever a carreira em portfólio em 1989, comparando-a a um portfólio financeiro com várias frentes intencionais. Décadas depois, Burnett e Evans ampliaram o conceito, defendendo a experimentação contínua no mundo do trabalho.
Portfólio de carreira é a construção intencional de atuação com múltiplos papéis, fontes de renda, aprendizado e impacto. A lógica é que atividades que se completam gerem mais resultado juntas do que isoladamente.
Por que isso está acontecendo
O fenômeno resulta da mescla de dois movimentos: risco de depender de uma única renda e a busca por expressão profissional que utilize plenamente o potencial do indivíduo. Pesquisas da Gallup indicam que apenas 21% dos profissionais estão engajados no trabalho.
Nassim Taleb, em Antifrágil, aponta que sistemas com várias tensões costumam ser mais resistentes. Concentrar renda e relevância em um único lugar pode oferecer menos segurança do que parece.
Quem pode adotar
O modelo é adequado tanto para executivos que atuam em conselhos quanto para jovens, autônomos ou pessoas em transição que diversificam competências e renda. Exemplos contemporâneos incluem empresários que combinam projetos, investimentos e aconselhamento.
No Brasil, o movimento aparece entre executivos que conciliam posições com docência, conselhos ou atividades autorais, mantendo uma identidade profissional única.
Portfólio não é falta de foco
A ideia de dispersão é comum, mas o portfólio funciona quando há um fio condutor. Uma competência central liga diferentes papéis, conectando-os de forma coerente e eficiente. Portfólio não é ausência de foco, e sim coerência aplicada a várias frentes.
Da inquietação à arquitetura
A curiosidade impulsiona a portabilidade de atividades, mas sem uma arquitetura fica difícil. É preciso decidir quais frentes se fortalecem mutuamente e quais não cabem. A gestão de tempo, disciplina e prioridades são essenciais.
Alguns veem o portfólio como estágio de transição; outros o adotam como modelo permanente de carreira. Em qualquer caso, o objetivo é manter qualidade e consistência em cada frente.
Profissionais reconhecem que a segurança não vem de um único cargo, mas de desenvolver competências, relações e relevância em diversos contextos. A abordagem em portfólio ganha espaço conforme o mercado muda.
Por Júlia Baldi, associada do Instituto de Estudos Empresariais (IEE). Os artigos assinados refletem a opinião exclusiva dos autores e não necessariamente a de Forbes Brasil.
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