- A missão brasileira, com 12 ministros e cerca de 380 empresários, terminou em 23 de fevereiro após sete dias em Nova Déli e Seul, com 21 acordos assinados e foco no agronegócio.
- Na Índia, foi firmado um memorando entre o setor sucroenergético brasileiro e indiano para cooperação em biocombustíveis, com avanço para aumentar a mistura de etanol na gasolina de 2% para 20% e exploração de caminhos conjuntos de carbono.
- Em 2025, o volume de exportações brasileiras para a Índia alcançou 300 mil toneladas de pulses, gerando cerca de US$ 250 milhões; houve negociações para ampliar o feijão-guandu e ampliar o acordo comercial com o Mercosul.
- Na Coreia do Sul, houve avanço para a abertura do mercado de carne bovina, com auditoria técnica prevista para 2026; o custo potencial do produto brasileiro pode ficar até 30% competitivo frente ao valor dos EUA.
- Além de carne, houve progresso para suínos, ovos, manga e uva, incluindo redução de tarifas de manga para 5% em uma cota de 18,5 mil toneladas e auditorias de plantas para carnes e frutos brasileiros, com acordos agrícolas e cooperação em ciência, tecnologia e normas sanitárias.
O governo brasileiro concluiu em 23 de fevereiro uma das maiores missões comerciais já realizadas à Ásia, com Lula presente. Em Nova Déli e Seul, uma comitiva de 12 ministros e cerca de 380 empresários buscou ampliar mercados. Ao todo, foram anunciados 21 acordos.
A viagem, organizada pela ApexBrasil em parceria com o Ministério das Relações Exteriores e a CNI, percorreu dois pilares: Índia, entre 18 e 21 de fevereiro, e Coreia do Sul, entre 22 e 23 de fevereiro. A Índia ocupa a 10ª posição entre destinos das exportações, e a Coreia o 13º.
Em 2025, o fluxo comercial com a Índia ultrapassou US$ 15 bilhões, e com a Coreia chegou a US$ 10,8 bilhões. Os números indicam espaço para crescimento, segundo autoridades dos dois países.
Na Índia: bioenergia como vetor
O acordo mais próximo de formalização veio do setor sucroenergético. Em Nova Déli, a UNICA e a ISMA assinaram um Memorando de Entendimento para cooperação técnica entre etanol, SAF, biogás e outras soluções de baixo carbono. A parceria fortalece a atuação brasileira na Global Biofuels Alliance.
Evandro Gussi, da UNICA, destacou o aumento da mistura de etanol na Índia de 2% para 20% em pouco mais de uma década. A ideia é harmonizar contabilização de carbono e ampliar investimentos. A cooperação regulatória envolve o RenovaCalc, metodologia brasileira para cálculo de emissões evitadas.
André Rocha, da FIEG, apontou décadas de cooperação bilateral na bioenergia. O acordo vigente entre Mercosul e Índia cobre apenas parte do comércio, abrindo espaço para ampliar energia renovável e biocombustíveis.
Feijão, segurança alimentar e alianças agrícolas
No eixo agrícola indiano, o feijão foi foco central. O Ibrafe informou que as exportações de pulses devem dobrar. Em 2025, o Brasil embarcou 300 mil toneladas, com receita de aproximadamente US$ 250 milhões. As negociações consideraram feijão-guandu, ainda em protocolo sanitário.
Ao lado, líderes discutiram ampliar o Acordo de Preferências Comerciais Índia–Mercosul, para ampliar acesso a mercados agrícolas e agroindustriais. Também houve ênfase em pesquisa conjunta em genética, nutrição e plantas, visando agricultura sustentável.
Coreia do Sul: abertura de mercado de carnes e frutos
Em Seul, o destaque foi a carne bovina. A Coreia irá realizar auditorias em plantas frigoríficas brasileiras antes da assinatura de protocolo sanitário. Uma missão técnica de auditores visitará o Brasil no terceiro trimestre de 2026.
Essa etapa é vista como decisiva para o ingresso da carne brasileira no mercado sul-coreano, hoje dominado pelos EUA. Estimativas indicam que o produto brasileiro pode ter até 30% de preço competitivo frente ao competitor norte-americano.
Lula afirmou no Fórum Empresarial que o Brasil está pronto para avançar nos procedimentos sanitários. A expectativa é que essa etapa abra portas para outros mercados asiáticos que ainda resistem à carne brasileira.
Diversificação: suínos, ovos, manga e uva
A pauta também avançou na suinocultura: todas as plantas aprovadas pela WOAH poderão ser avaliadas pelas autoridades coreanas, ampliando o estoque de produtores brasileiros habilitados. Nos ovos, a documentação necessária para abertura do mercado foi recebida pela Coreia, com certificado previsto nos próximos dias.
Na fruticultura, a manga teve redução tarifária para 5% dentro de uma cota de 18,5 mil toneladas no primeiro semestre. A uva receberá auditoria técnica em setembro de 2026, com possibilidade de abertura de mercado ainda neste ano. Abrafrutas ressaltou a competitividade da manga.
Acordos e perspectivas
Na Coreia, foram assinados três acordos agrícolas com foco em segurança alimentar, tecnologia agroindustrial e desenvolvimento rural sustentável. Um memorando prevê intercâmbio técnico, harmonização sanitária e criação de Comitê de Cooperação Agrícola Brasil–Coreia.
A Embrapa firmou memorando com a Administração de Desenvolvimento Rural da Coreia do Sul. Os líderes sinalizaram a retomada das negociações do acordo de livre comércio entre Mercosul e Coreia, com previsão de conclusão ainda neste ano, se as condições permitirem.
Entre na conversa da comunidade