- O projeto Corridors of Life, da IPÊ, desde 2002 já restaurou mais de 6.000 hectares e plantou 10 milhões de árvores no Pontal do Paranapanema.
- A meta para 2041 é recuperar 75.000 hectares em 30 municípios de São Paulo, conectando áreas de conservação a corredores florestais.
- Dados apontam que apenas 8% da vegetação nativa permanece na região; alguns municípios têm menos de 2% de cobertura florestal.
- O programa gera emprego para 342 pessoas e já formou mais de 2.000 pessoas em agroecologia, restauração e coleta de sementes; há 21 pequenas empresas rurais envolvidas.
- O mapeamento ambiental identifica áreas prioritárias para restauração, com 45 proprietários rurais participando, conectando áreas como o Cuiabá e o Morro do Diabo e promovendo maior biodiversidade.
PONTAL DO PARANAPANEMA, Brasil — Projetos de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas avançam na região ocidental de São Paulo, próximas ao Rio Paraná. A iniciativa envolve famílias de reforma agrária que plantam espécies nativas da Mata Atlântica para formar corredores ecológicos.
Haroldo Gomes, biólogo e coordenador de campo do IPÊ, percorre estradas de terra orientando ações de restauração. Ele carrega um viveiro com ipês, aroeiras e guarântas, entre outras cerca de 70 espécies nativas. O objetivo é reintroduzir a vegetação histórica.
A meta do projeto Corridors of Life é ampliar a restauração para 75 mil hectares até 2041, envolvendo 30 municípios. A iniciativa já somou mais de 6 mil hectares restaurados desde 2002, com cerca de 10 milhões de árvores plantadas.
Contexto histórico e atuação local
A região abriga 32 municípios e abriga a maior concentração de assentamentos de reforma agrária de São Paulo. Dados do ITESP indicam mais de 120 mil hectares em assentamentos estaduais e 30 mil hectares em assentamentos federais, administrados por INCRA ou pelo governo estadual.
Haroldo descreve o desafio atual: apenas 8% da vegetação nativa permanece no Pontal do Paranapanema, com alguns municípios abaixo de 2% de cobertura florestal. A perda histórica está ligada à defloração da região no século passado e à expansão de monoculturas, especialmente cana-de-açúcar.
Emprego, economia e engajamento comunitário
A restauração envolve uma rede de 21 empresas locais, conhecidas como “startups rurais”, que executam o plantio e a manutenção para o Corridors of Life. Em Teodoro Sampaio, equipes já somam 170 hectares reflorestados em menos de três anos, conectando áreas de APP a parques estaduais, como o Morro do Diabo.
Certas famílias adotaram agroflorestas, combinando café com árvores nativas. O modelo busca renda estável a longo prazo, com produção de café sombreado, leite e venda de mudas para reforçar a autonomia das comunidades.
Benefícios e biodiversidade
A restauração tem contribuído para a diversificação ecológica, promovendo habitat para aves e mamíferos, incluindo espécies ameaçadas. A reintrodução de jaguar foi registrada pela primeira vez em áreas reflorestadas em 2024, sinal de recuperação gradual da fauna.
Entre as ações, o projeto também aposta na participação feminina, com associações de mulheressettlers que promovem manejo comunitário de lavouras e serviços de tractor para apoiar as atividades locais. O resultado é um fortalecimento econômico e social das comunidades.
Desafios e perspectivas
Especialistas destacam que a recuperação de ecossistemas leva décadas: estima-se entre 15 e 20 anos para a consolidação de comunidades animais, dependendo das condições. Mesmo assim, a consolidação de corredores ecológicos depende de manejo contínuo, monitoramento e engajamento de proprietários privados.
Representantes do IPÊ indicam que a restauração de áreas privadas tem papel central na recuperação da Mata Atlântica. O objetivo é ampliar áreas reflorestadas, fortalecendo conectividade entre remanescentes, reservando água e diversificando as atividades locais.
Entre na conversa da comunidade